10 ataques terroristas de direita no Brasil

Os representantes da ala direita do espectro político vivem acusando a esquerda – em especial a socialista – de ser terrorista, de realizar crimes contra a população. No entanto, enquanto os grupos revolucionários quando utilizaram-se de tais práticas visavam alvos militares, as forças conservadoras promoveram ataques contra civis, espalhando o medo entre as pessoas.

Antes, gostaria de fazer uma menção ao plano de explodir quartéis por parte do ídolo reacionário Jair Bolsonaro. Apesar de ser um exemplo de terrorismo claro, não chegou a ser concretizado, além de que, como dito, focaremos em ataques a alvos não militares.

A seguir, irei apresentar 10 ataques promovidos por grupos de direita em nosso país.

 

1 – Ataques contra Haitianos, 2015

Imigrantes oriundos do Haiti foram alvos de ataques xenofóbicos. Em Agosto, seis haitianos foram vítimas em São Paulo de disparos enquanto seus agressores os acusavam de “roubar empregos”.

Meses depois, outro haitiano foi atacado em Cuiabá e ficou paraplégico após ser baleado.

Em Setembro, Bolsonaro afirmou que “marginais do MST, dos haitianos, senegaleses, bolivianos e tudo que é escória do mundo que, agora, está chegando os sírios também”.

2 – Sequestro em Brasília, 2014

Jac Souza dos Santos fez um refém no Hotel St. Peter em Brasília, e ameaçou explodir o prédio. Um de seus pedidos era a extradição do italiano de esquerda Cesare Battisti, uma pauta da direita brasileira, pois este havia combatido o governo italiano durante a Guerra Fria.

Após 7 horas, ele acabou se entregando e foi preso.

 

3 – Bomba na OAB-RJ em 2013

Durante as investigações da Comissão da Verdade, uma bomba explodiu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, sem feridos. O ataque foi visto como uma tentativa de intimidação, buscando esconder os crimes cometidos durante a Ditadura.

Felizmente, não teve sucesso e a Comissão continuou com seu trabalho, trazendo a tona os crimes do período militar.

4 – Bomba na Parada Gay em 2009

A organização neonazista Impacto Hooligan arremessou uma bomba durante a Parada Gay em São Paulo. Cerca de 40 pessoas ficaram feridas.

Essa organização é apenas uma das gangues de extrema-direita que existem no Brasil e são envolvidas com ataques homofóbicos. Outras conhecidas incluem os Carecas e o Desvatação Punk.

5 – Atentado do Riocentro em 1981

Em 30 de abril, ocorria no Pavilhão RioCentro uma evento celebrativo do Dia do Trabalhador, e militares planejavam explodir bombas que causariam o pânico generalizado. O objetivo do ataque era responsabilizar a esquerda, legitimando assim um endurecimento da ditadura e evitar a abertura política.

Felizmente, erros técnicos fizeram com que a bomba explodisse no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, causando sua morte e o ferimento do capitão Wilson Dias Machado.

O Regime fez o possível para incriminar os opositores, mas a verdade acabou vindo a tona. Foi uma tentativa de “falsa bandeira” que, por pouco, não custou inúmeras vidas.

6 – Atentado à OAB em 1980

O Grupo Secreto foi uma organização terrorista de extrema-direita que surgiu no ano de 1961, e tentou realizar um atentado contra uma Exposição Soviética, mas teve suas bombas desarmadas pela polícia. Em 1967, no entanto, o grupo se rearticularia sob a Ditadura Militar.

Teatros e universidades foram alvos de ataques, e caso alguns de seus membros fossem presos, logo eram soltos.

Em 27 de Agosto de 1980, Lyda Monteiro da Silva, secretária do presidente da OAB, foi morta por uma carta-bomba enviada pela organização. O seu velório, com milhares de pessoas, se transformou num ato de repúdio à ditadura.

7 – Atentado contra Cebrap em 1976

A Aliança Anticomunista Brasileira realizou inúmeros ataques, e um destes foi contra a Associação Brasileira de Imprensa. O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento também foi alvo. Durante a madrugada, uma bomba foi lançada contra o Cebrap, destruindo partes da biblioteca. A OAB também viria a ser alvo.

Panfletos da organização diziam:

“Chegou a hora de começar a escalada contra a nova tentativa de comunização do Brasil, que está em marcha. Morte à Campanha comunista! Viva o Brasil”.

8 – Ataque ao Teatro Opinião em 1968

O Comando de Caça aos Comunistas (CCC) era conhecido por diversas ações, incluindo o assassinato do padre Antônio Henrique Pereira Neto e a invasão do Teatro Ruth Escobar, em São Paulo.

O Teatro Opinião apresentava o espetáculo “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, quando uma bomba foi arremessada contra a bilheteria. Cinco dias depois, o jornal ‘Correio da Manhã’ também seria atacado.

9 – Invasão do jornal “A Última Hora” em 1964

A Frente Anticomunista (FAC) era uma organização de extrema-direita em Bauru, liderada pelo católico conservador Silvio Marques.

Após o jornal A Última Hora soltar uma reportagem mostrando o treinamento paramilitar do grupo, seus membros invadiram a sede, amarraram os jornalistas e destruiram o local.

A organização manteve um clima de terror na cidade, pois qualquer pessoa suspeita de simpatia com a esquerda poderia se tornar alvo da organização, incluindo espancamentos e sequestros.

10 – Ataque à sede da União Nacional dos Estudantes, em 1962

O Movimento Anticomunista (MAC) surgiu no início da década de 60, inicialmente realizando ameaças com pichações, como “Fogo nos Comunistas” e “Fuzilemos, brasileiros, os lacaios de Moscou”.

Mas não demorou para partirem para a violência: em 62, seus membros metralharam a sede da UNE. Posteriormente, durante a Ditadura Militar, suas atividades contra estudantes e grupos de esquerda iriam se intensificar.

 

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