5 formas que a elite usa para te induzir a odiar protestos

Digamos que amanhã você seja eleito o comandante secreto dos EUA, uma posição que te dá total poder sobre o governo, economia e a cultura em grande parte – tudo que os hippies se referem como “O sistema”. Agora, seu principal trabalho é não ter sua cabeça cortada por camponeses rebeldes, o que quer dizer que seu principal trabalho na verdade é manter a “estabilidade” (“manter as coisas como são”).

Imediatamente você se achará encarando uma torrente que nunca acaba de protestos de grupos desafeiçoados que dizem que estão sendo tratados de forma injusta ou sendo deixados de fora – esse grupo aqui está desconfortável com abuso policial, esse outro demandando melhores salários ou algo assim. Como você lida com isso? Claro, você pode esmagar seus movimentos com um punho de aço, usando violência para matar, intimidar ou prender seus membros mais vocais. Mas o tiro pode sair pela culatra, frequentemente tornando-os em mártires e provando que eles estavam certos no processo , você viu Star Wars, alguém sempre acha a saída de ventilação.

Não, o que você precisa é trazer a maioria para o seu lado, contra aqueles reclamadores vocais. Afortunadamente para você, “o sistema” vem com um número de processos refinados e subjetivos designados para fazer com que reclamações de poucos sejam ignoradas pela maioria. Primeiro de tudo, o que você deve fazer é…

 

5- Esperá-los violar a lei, e então falar somente sobre isso

Esse pode ser virtualmente o truque mais antigo. Eu penso que pessoas poderosas fizeram isso a pessoas protestando desde os dias em que ser chifrado por um mamute era a principal causa de morte. Funciona assim:

  • A) Certo grupo tem uma reclamação – estão sendo discriminados, tiveram seus benefícios cortados, o que seja – mas eles não são a maioria
  • B) Porque a maioria não é afetada, eles permanecem largamente ignorantes e desinteressados sobre o que está acontecendo com as pessoas que reclamam. A mídia não cobre sua questão, porque é ruim em termos de audiência.
  • C) Para conseguir a atenção da maioria, o grupo com a reclamação irá se reunir em grandes números para cantar, bloquear o tráfico, etc. Isso força a mídia a cobrir as demonstrações (porque grandes, barulhentos grupos de pessoas se transformam em boas fotos e vídeo) e cobrem a questão no processo (desde que parte de cobrir o protesto envolve explicar o que está sendo protestado). Nos EUA vimos essa tática sendo utilizada por todos, desde veteranos de guerra empobrecidos a mulheres procurando o direito de votar, aos protestos de violência policial que estão na mídia hoje.
  • D) Para anular isso, tudo o que você precisa é esperar um membro  do grupo ativista – qualquer membro – cometer um crime. Então a mídia irá focar no crime, porque distúrbio e vidros quebrados se tornam em fotos e vídeos ainda mais interessantes que as demonstrações. A maioria, que teme crime e instabilidade acima de tudo – irá então associar o movimento com violência daí pra frente.
  • E) Você, em sua jornada para prevenir o sistema de mudar, pode agora recolocar a questão não como opressores contra os oprimidos mas de cidadãos contra criminosos – apoiar sua causa quer dizer apoiar violência. A TV estará cheia de imagens de lojas de conveniência queimando e lojas saqueadas, no ponto que a maioria dirá “Eu nunca protestaria opressão governamental destruindo propriedade alheia!”. “Quero dizer, porque eles não podem protestar dentro da lei? Sabe, como Martin Luther King? Isso é o porque ele foi universalmente respeitado na sua época!”

“E encaremos a verdade, o fato de que eles estão utilizando a violência prova que eles são simplesmente criminosos procurando por uma desculpa para se comportar mal”

Agora, tenha em mente que nem as pessoas repetindo isso vão realmente acreditar – A cultura pop americana e história de verdade estão cheias de heróis que violaram a lei e destruíram coisas quando o sistema os falhou (você sabe que o Batman não tem permissão pra voar aquele avião). Até hoje aplaudimos quando pessoas oprimidas em outros países o fazem. Então quando alguém diz que devemos ignorar um movimento porque são um bando de “bagunceiros” e seu amigo de coração mole diz que o mesmo possa ser dito dos Founding Fathers, eles mudam de marcha imediatamente. “Você está honestamente comparando as pessoas protestando em Ferguson com heróis bravos como Thomas Paine? Ele fez campanha pela liberdade!”

Em outras palavras, eles rapidamente admitirão que a legalidade das táticas não tem nenhum impacto sobre se as causas são justas – veteranos de guerra tornados deficientes e neonazistas foram do mesmo jeito jogados em cadeias por protestos que se tornaram violentos. Membros briguentos não automaticamente fazem uma causa errada da mesma forma que não a fazem certa. Todos concordarão que isso é verdade e lógico, mas cinco minutos depois vão falar que uma causa inteira é errada ao verem um único carro de polícia pegando fogo. O sucesso dessa técnica é muito alto – hoje, a única coisa que a maioria das pessoas na China lembra sobre o massacre da praça de Tiananmen (paz celestial) é que restaurou estabilidade e ordem.

“Mas porque os EUA foram construídos com uma revolução, a maioria das pessoas não iria tomar partido do grupo mais fraco,  mesmo se eles sairem da linha? ” Isso é certamente um perigo, e por isso o próximo passo é…

 

4- Convencer a maioria poderosa que eles são os oprimidos

No ano passado um investidor bilionário disse que a crítica aos ricos hoje é equivalente á perseguição dos judeus durante o Holocausto. Ele não teve um derrame, está sob a influência de uma das técnicas mais poderosas que o sistema tem em seu arsenal. Para fazer a maioria ignorar reclamações de qualquer grupo desavantajado, você simplesmente insiste que aquele grupo em desvantagem tem o real poder e que a poderosa maioria é então desavantajada. Geralmente envolve os seguintes passos:

  • A) Ache um exemplo de um membro com sucesso do grupo desavantajado e exagere seu poder
  • B) Diga ou faça coisas cabulosas até a vítima perder a paciência, então os acuse de censura e opressão
  • C) Acuse a vitima de gostar de sua vitimização e ou fazer o que eles fazem puramente por publicidade. Insista que eles estavam “pedindo por isso” e foram a verdadeira força motor do assédio durante todo o tempo.

Te darei alguns exemplos na vida real, e acredite, quando você pegar como a coisa funciona verá isso em todos os lugares.

Digamos que seu país tem um problema de pobreza que está aumentando rapidamente, e os pobres estão ficando barulhentos.A) requer que você insista que aqueles no fundo do poço – aqueles dependendo de assistência governamental para comprar comida – são na verdade ricos. pareceria uma tarefa impossível se não ridícula, mas tudo o que precisa para funcionar é uma imagem photoshopada mostrando um balanço massivo em uma receita de uma loja de bebidas e a maioria irá compartilhar no Facebook centenas de milhares de vezes. Ou ache um vídeo de um mendigo dirigindo um carro de luxo, e será bombardeado nas manchetes como um exemplo típico de pessoa pobre. Daí vem o B): o momento em que alguém fala que é mentira, chore censura ao dizer que você é um mártir do politicamente correto. E então o C) em que você diz que os ativistas apoiando as vítimas que você ataca estão o fazendo simplesmente pelo dinheiro ou atenção.

É tudo que tem nisso. Três simples passos – exagerar o poder da vítima para trazer o público para seu lado, fazer a vítima ir ao ataque para você poder jurar ser vítima você mesmo, insistir todas suas reclamações não são sinceras. Boom. Feito.

E só para ser claro, a narrativa posta acima – que todos que dizem ser pobres são secretamente ricos – é mais uma vez algo que ninguém realmente acredita. Dê a qualquer um o dizendo a chance de viver nos projetos de casa pública ou estacionamento de trailer onde essas rainhas do welfare secretamente ricas moram e tudo que você verá será uma nuvem de fumaça e uma pequena silhueta correndo no horizonte. Você não precisa da maioria acreditar nisso, só de “acreditar”.

É por isso que funciona com qualquer grupo, não importa quão risível o balanço de poder esteja em seu favor. A indústria de petróleo ganha 200 bilhões de dólares por ano em lucros. Se você quiser colocá-los como os mais oprimidos desavantajados, só A) fale sobre como esses pobres caras estão constantemente sofrendo bullying do vicioso e grandemente forte lobby ambiental…

… e, seriamente, não teria medo de utilizar palavras como “bullying”, mesmo quando falando sobre o que é literalmente um dos mais ricos e poderosos grupos na história humana. Citação verdadeira: “Mas se alguém está sofrendo bullying aque, é a Chevron… É quase impossível para uma empresa de petróleo conseguir uma audiência justa em um mundo que sofreu lavagem cerebral da propaganda ambientalista.” É claro, aquele pedaço sobre não conseguir uma “audiência justa” cobre B), a acusação de censura e um choro de vítima. Então C) você fala sobre como ambientalistas só o fazem pelo dinheiro (como falam do Al Gore), e então você está feito – cedo cedo você terá pessoas comuns olhando aos crescentes preços do petróleo e dizendo, “Muito Obrigado, Greenpeace.”

E enquanto simplesmente mencionar isso me faz ficar cansado, toda a coisa do Gamergate foi um exemplo tirado de livro acadêmico. O cara por trás disso precisou juntar uma maioria em grande parte masculina contra uma desconhecida desenvolvedora de jogos então ele A) Literalmente disse que ela estava sendo reverenciada como um “ídolo falso” que precisava ser derrubado, então pra complementar os assediadores insistiram era secretamente uma poderosa agente do governo dos EUA em uma operação de propaganda. Então, B)  quando o assédio se tornou forte o suficiente que ela teve que conseguir uma ordem judicial para manter o cara longe, eles chamaram isso de censura. E é claro, quando C) quando ela recebeu doações de apoiadores simpáticos, eles declararam que ela só estava nisso pelo dinheiro.

Dez anos mais cedo, eles o fizeram com outra desenvolvedora de jogos chamada Kathy Sierra, seguindo o mesmo template. O livro de regras nunca chama porque nunca para de funcionar, em três passos simples você pode conseguir que massas façam bullying em qualquer pessoa por você, tudo enquanto procurando status de vítima. Afinal, qual tática está fora da mesa quando você está tentando derrubar um gigante imparável que está tentando fazer bullying com você e silenciar sua crítica por fama e lucro?

 

3) Foque em suas reclamações mais levianas (e membros menos agradáveis)

Uma vantagem que você tem no seu papel de comandante secreto é que seus cidadãos estão se afogando em informação. Eles tem merda voando de todas as direções, várias vozes demandando sua atenção e ação de uma forma diária. Essas pessoas bem intencionadas, cada uma tem vários problemas em suas vidas, então elas tem que escolher com cuidado quando decidir quais questões ignorar e quais se preocupar com. A maioria fará essa decisão muito rápido, baseado em qualquer informação está prontamente disponível para elas. Seu trabalho, e, então, ter certeza que elas etão expostas somente aos exemplos mais desagradáveis e ridículos da questão ou grupo que você quer fazer desaparecer.

Sob o interesse de ser balanceado (porque eu mencionei o GamerGate acima) deixe-me pegar um exemplo recente em que isso foi usado contra os MRA. Teve um furor pequeno na internet quando o filme Mad Max: Fury Road estreiou, resultando em manchetes do tipo “Mad Max: Fury road adquire a ira de MRAs”, com artigos falando que a “comunidade” de MRAs estava se revoltando com o filme e organizando um boicote pelo fato de que continha algumas supostas mensagens feministas dentro da constante torrente de pessoas deformadas sendo obliteradas em batidas de carro (Dica: Mad max não é o personagem principal).

Eu ri quando eu vi essas manchetes e retweetei os artigos. Ha, esses merdas MRAs vão ficar putos com qualquer coisa! Mas alguns dias depois eu cavei um pouco e foi revelado que, apesar do fato dessas manchetes dizerem a existência de um movimento nacional, o boicote foi uma pessoa doida reclamando sobre o filme em um site fringe MRA. O cara não é proeminente no movimento de qualquer forma – e passa o tempo dele postando vídeos de Youtube que lutam para passar de 2000 visualizações. Então porque a blogosfera trompeteou suas divagações como se ele fosse o mais proeminente representante do movimento? Porque ele fez o movimento parecer ridículo.

Veja bem, ao destacar as reclamações mais bobas de um grupo, você inocula a audiência a qualquer reclamação real que possa vir depois, criando uma reação automática de descarte contra quaisquer reclamações reais que possam vir depois, como por exemplo um homem dizer que mesmo homens são fodidos por papéis de gênero ou quando outro tem uma história horrível e legítima a dizer. “Ha”, dirão as pessoas, “esses são os mesmos caras que choraram pelo Mad Max ter uma heroína!”. Não, não são, a não ser que nós literalmente estivermos falando de Aaron Clarey. “Quem?” Exatamente.

Da mesma forma, existem vários grupos por aí tentando melhorar as condições dos animais, mas eu aposto que o único que você pode falar é o PETA, porque eles são os únicos fazendo coisas estúpidas como insistir que pessoas chamem peixes de gatos do mar e fazendo protestos pelados que não mandam informação útil qualquer. Dessa forma, quando alguém questiona práticas horríveis em indústrias grandes (como factory farming ou pet shops vendendo animais de cruéis fabricas de filhotes) você virará os olhos e dirá “É provável que sejam os doidos do PETA, de novo”.

Porque eles são ridículos, eles conseguem toda a cobertura e viram a face do movimento. E o resultado é que nenhuma mudança significativa irá ocorrer.

De novo não preciso discorrer sobre o porque isso é ilógico – a existência de uma reclamação fútil não automaticamente significa que não existem mais sérias a serem achadas nessa direção. Uma pessoa morrendo de câncer pode reclamar de seu show de TV favorito ser cancelado, isso não quer dizer que seu câncer não deve ser uma coisa grande e que ele pode seguir sem ser tratado.

Também, perceba como estamos sempre fazendo isso pessoal – como demonstrado acima, você não fala sobre aquecimento global, você fala sobre AL Gore. Você não fala sobre racismo sistêmico, você fala sobre os impostos não pagos do Al Sharpton. Não fala sobre desigualdade de renda, fala sobre como crianças do Occupy Wal Street todas tem iPhone (ou socialistas no brasil).

Agora, parte do seu problema é que esses grupos ativistas irão frequentemente apelar a simpatia da maioria, e isso é uma coisa poderosa considerando que a maioria de nós gostamos de se considerar legal, simpatético, etc. Para anular isso você simplesmente…

2. Coloca dois grupos desavantajados contra eles mesmos ( e insiste que somente um pode “vencer”)

Como mencionamos acima, a pessoa normal tem espaço limitado em seu cérebro e tempo para devotar a “questões” que eles precisam se preocupar. Simpatia requer energia, e nós temos uma quantidade finita para gastar. Bem, tem uma maneira subjetiva que você pode utilizar isso para sua vantagem, implicando que existe quantidade de simpatia limitada no mundo e que prestar atenção a essa reclamação de alguma forma quer dizer retirar atenção de outra. Isso deixa você jogar dois grupos de vítimas contra os outros, enquanto eles lutam por suar parte.

A beleza disso é que mesmo pessoas bem intencionadas caem nisso. Como por exemplo a polarização entre movimentos identitários em que negros reclamam do punitivismo recair sobre eles. Quaisquer conversas de homens sendo prejudicados pelas acusações falsas de estupro (como esse cara que passou cinco anos na cadeia antes de ser liberado)  implica subjetivamente que você está negligenciando vítimas de estupro ou sendo um apologista ao estupro. Porque não podemos ser simpáticos a vítimas de estupro, críticos a cultura de estupro e ao racismo e simpáticos a homens que foram falsamente acusados? Porque existe quantidade finita de simpatia.

Veja, isso quer dizer que devemos focar no mais sério dos dois problemas, e além da cultura de estupro afetar as mulheres todos os dias todas as horas, coletivamente vítimas de estupro são mais numerosas e tem vidas muito piores de que estupradores falsamente acusados. Expressar preocupação pelo mesmo deve ser resultado de segundas intenções! A ideia de que na realidade, todos tem um inimigo comum – isso é, uma cultura patriarcal racista que não tem ideia de como lidar com assédio sexual – é varrida de lado. Mais ou menos como o racista pobre no parque de trailers e o negro pobre na cidade nunca iriam considerar que ambos estáo sendo oprimidos pelo mesmo sistema econômico, só que em formas diferentes. “O quê?” Cada um dirá. “Você está comparando meu sofrimento com o dele?”

Se você pode somente convencê-los que é uma competição, eles utilizarão toda sua energia em se odiar e nenhuma em consertar o sistema. O cara no parque de trailers não culpa os banqueiros pela economia, ele culpa minorias e imigrantes. Somente um de nós é a verdadeira vítima aqui, porra!

O que isso também faz é deixar a maioria descartar a reclamação de um grupo ao insistir que é porque estão tão mais preocupadas com tal outro problema. Se americanos de baixa renda reclamam de desemprego alto e salários estagnados, então você fala de quão piores estão os pobres na europa e quão menos os trabalhadores são pagos na china. Se feministas ocidentais reclamam de diferenciais de pagamento ou para ter direito ao aborto, você fala sobre como pior as mulheres o tem em outros países ( Ex: Visite a página da organização nacional para as mulheres, o maior grupo feminista da américa, e a maior questão é aborto. […] Enquanto isso, no oriente médio, mulheres estão lutando pelo direito de ir para escola, votar, evitar casamentos forçados e até a simples habilidade de dirigir um carro”). Você ve a trapaça? “Nós não deveríamos fazer nada pelo seu problema quando essas outras o tem muito pior. Também, nós não faremos nada sobre o deles.” O resultado: Nada muda.

Ou até mais estranho, você pode fazer pessoas recusar simpatia por uma causa ao invés disso dar para uma que não existe – usualmente mirando uma versão que existia no passado. Fale sobre como o feminismo “verdadeiro” era mulheres de antigamente lutando pelo direito de votar, mas insista que esse feminismo de hoje é simplesmente trivial (veja, porque isso quer dizer que você totalmente estaria ao lado das feministas de antigamente). Ou, enquanto ridiculariza todo negro ativista ou causa, insista que você estaria marchando junto com Martin Luther King se você estivesse vivo nos anos 60. Você sabe, enquanto o movimento era respeitável. “E afinal das contas, como podem essas pessoas fazer tanto estardalhaço de encarceramento e escolas piores quando eles costumavam ser linchados? Ok vou ficar fora dessa mas se você achar uma máquina do tempo, estarei junto com você amigão!”

Logicamente, é claro, você poderia utilizar essa mesma razão para descartar qualquer reclamação feita por qualquer um na terra, sempre, desde que ele não seja a pessoa sofrendo mais (“Bem eu conheço um cara que prendeu seu pinto no moedor de café duas vezes, e ele não faltou ao trabalho!”). Mas isso funciona porque sua audiência quer uma razão para descartar essas questões e essa é uma forma de deixá-las enquanto ainda se consideram pessoas boas. “Não é que eu falto com simpatia! Eu só a guardo para coisas que eu não posso fazer nada sobre.”

 

1 Insista que qualquer mudança arruinará o mundo

Essa é a falácia do “ame ou deixe-o”, e cara como funciona. Como o comandante secreto responsável por ter certeza que nada mude, essa é sua carta coringa.

Lembrem, humanos são naturalmente aversos a risco –  pessoas vão ficar em empregos ruins e relacionamentos ruins e manter hábitos destrutivos por medo de que tentar consertar as coisas ruins resultará em perder tudo. Isso é porquê as pessoas tem medo de tomar antidepressivos (“Claro, minha depressão pode ir embora, mas e se eu perder as partes legais da minha personalidade?”). Então para aproveitar-se desse medo, tudo que você deve fazer é fazer com que qualquer crítica ao sistema recorrente pareça um ataque em tudo o que temos estimado.

“Você está criticando a polícia por uso excessivo de força? Vamos ver o que pensará quando os policiais não aparecerem”

“Você quer uma sociedade mais justa e igualitária para todos? Começa dando sua casa, comunista”

“Oh, está preocupado com poluição? Então você deve querer um mundo sem eletricidade!”

É um truque bem simples – ignore qualquer possibilidade que envolva simplesmente melhorar o sistema recorrente e implique que em ordem para conseguir seus benefícios devemos aceitar quaisquer aspectos do status quo, incluindo as partes que moem as pessoas em um hambúrguer. Não importará se você não consegue dizer porque melhoramentos são impossíveis, desde que os centros de medo no cérebro sejam inerentemente irracionais. “Proponentes do casamento gay secretamente querem destruir todo o casamento? Claro, com certeza faz sentido para mim!”.

E agora você vê como isso pode ser combinado com as técnicas acima. Violência durante protestos somente prova que o que essas pessoas realmente querem é a destruição da sociedade civilizada! E você, a maioria poderosa, é a brava última linha de defesa de tudo que é bom contra massivas hordas de doidos irracionais. E assim segue.

Lembre, isso é o que as pessoas querem acreditar (ou “acreditar”). É porque, no mundo real, não se necessita de um comandante secreto para colocar tudo isso em prática. Com um empurrãozinho, as pessoas – mesmo as pessoas boas – irão o fazer elas mesmas. Simplesmente olhe a sua volta.

 

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Hugo Souza

Hugo Souza é estudante de Ciência da Computação e militante anarquista