5 “Rasputins” da Direita

Grigori Rasputin ficou conhecido por ser o místico conselheiro da família Romanov, que governava o Império Russo, e extendeu sua influência longe até ser assassinado por quem o via como ameaça.

No entanto, o bruxo russo não foi o único charlatão que, às custas de um líder com amplos poderes, tentou ascensão rápida ao topo. Citaremos abaixo 5 “mentores espirituais” que, às sombras de autoridades, buscaram influenciar nações para seus próprios projetos obscuros.

1 – Heinrich Himmler e Adolf Hitler

Himmler

O Partido Nacional-Socialista, de extrema-direita, surgiu de um encontro curioso: veteranos da Primeira Guerra, imbuídos de um sentimento de revanche nacionalista, e ocultistas simpáticos da supremacia ariana.

Enquanto Adolf Hitler seduzia milhões de alemães com a promessa de um Estado racial e conquistava o patrocínio da burguesia contra a “ameaça comunista”, Heinrich Himmler se torna o líder da nova religião nazista.

A Sociedade Thule afirmava que a Raça Ariana era descendente dos povos atlanteanos, semi-deuses, a Sociedade Vril buscava desenvolver métodos para se manipular uma energia espiritual em proveito do Partido e a Sociedade Ahnenerbe promoveu investigações arqueológicas sendo uma delas ao Tibet em busca das origens da “raça”.

Apesar de vários nazistas terem se convertido às ideias ocultistas, a esmagadora maioria se mantinha cristã, fazendo com que o misticismo fosse restrito a apenas algumas alas internas.

Himmler começou sua atuação política no Partido Nazi em 1923, e participou da tentativa de golpe falho Putsch de Munique, conseguindo não ser preso. Vai se tornar, anos depois o chefe da temível SS, tropa de elite nazista, e será um dos principais arquitetos do Holocausto.

Após tentar negociar rendição alemã pelas costas de Hitler, será expulso do Partido Nazista e, acabada a guerra, Himmler cometerá suicídio ao ser preso pelas tropas britânicas.

2 – Choi Soon-sil e Park Geun-hye

Um escândalo atingiu a Coréia do Sul no ano de 2016.

Choi Soon-sil acompanhando Park Geun-hye

Park Geun-hye era a presidente sul-coreana, do Partido Saenuri (ou Grande Partido Nacional), de direita. Seu pai foi Park Chung-hee, conhecido por ser um ditador que chegou ao poder mediante golpe, e por ter dado suporte aos Estados Unidos durante a Guerra Fria.

Park, após a morte de seus pais, vai entrar na esfera da influência de Choi-Tae-Min, chefe da Igreja da Vida Eterna, que vai passar a guiá-la desde então. Posteriormente sua filha, Choi Soon-sil, passará a ser a conselheira particular da presidente sul-coreana, chegando a ter o controle de detalhes da sua vida, e utilizando de informações privilegiadas para extorquir grandes empresários e enriquecer.

O caso irá explodir, e a esquerda irá as ruas exigir Impeachment, com a direita acusando tudo de “mentiras comunistas”. No ano de 2017, a presidente Park Geun-hye terminará perdendo o mandato, e sua amiga “mística”, presa.

3 – Aleksandr Dugin e Vladimir Putin

Antes desenvolver a doutrina política – Eurasianismo – que irá influenciar os passos do presidente russo, Aleksandr Dugin participou de uma empreitada ao lado de Eduard Limonov: a criação do Partido Nacional-Bolchevique. Tal empreendimento não deu muitos resultados, mas foi um esboço do que ele iria construir futuramente.

Aleksandr Dugin, ao centro

Utilizando-se de elementos do misticismo nazi, Dugin criará a sua “Quarta Teoria Política” e logo fará parte de uma rede mundial com um único objetivo: destruir a sociedade pós-iluminista.

Ele  entende que é necessário retomar os valores da tradição e do conservadorismo, da hierarquia e do autoritarismo. E destruir o Ocidente. Sua teoria envolve, no quesito da Geopolítica, a aliança de todas as forças anti-americanas para uma guerra final, na qual ele apela para simbologias ocultistas dignas das velhas sociedades secretas nazistas.

Entre as forças que devem ser mobilizadas, Aleksander Dugin é claro: fundamentalistas religiosos, nacionalistas radicais, stalinistas e até nazistas compõe a lista.

A ideologia de Aleksander Dugin pode ser compreendida de uma forma mais prática também. Apesar da derrota soviética durante a Guerra Fria, ainda há o desejo de revanche frente ao Poderio Norte-Americano. Buscando reviver a glória passada da União Soviética e também do Império Russo, Dugin busca construir um nacionalismo que lhe seja conveniente para mobilizar as massas em prol de um novo regime, inspirado no “velho”.

O teórico russo já esteve no Brasil, mais de uma vez, onde demonstrou ser fluente na língua portuguesa. Repetidamente, já demonstrara simpatias pelo nosso país, uma certa admiração. Curiosamente, logo após sua última visita, diversas páginas de orientação “nazbol” surgiram no Facebook, tentando “seduzir” membros da esquerda. Mais recentemente, até mesmo começaram a surgir páginas do “Nacional Anarquismo”, conhecido no exterior como uma tática nazista para se aproximar dos anarquistas, e cujas páginas utilizam Dugin como um de seus pensadores.

4 – Steve Bannon e Donald Trump

Donald Trump e Steve Bannon

O ex-diretor da página de extrema-direita Breitbart agora alcançou o topo do poder como estrategista-chefe do atual presidente norte-americano, Donald Trump. Um nacionalista radical, Bannon orienta e dita os passos que seu apadrinhado deve adotar politicamente, sendo um dos responsáveis pelo visível radicalismo que testemunhamos.

O site Breitbart é a plataforma política da chamada “Alt-Right”, fundada pelo supremacista branco Richard Spencer, e é famosa pelo conteúdo racista, misógino e xenofóbico.

Bannon possui relações com a extrema-direita mundial, incluindo Dugin e alas do Vaticano, e claramente age em prol de um objetivo global. Sua influência é tanta que muitos sussurram que talvez Trump seja apenas uma marionete sua.

Seja como for, Steve é o simbolo da chegada da extrema-direita na Casa Branca.

5 – Olavo de Carvalho e Jair Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (filho de Jair) e Olavo de Carvalho

Jair era ninguém até ganhar os holofotes em 2011, por seu enfrentamento ao material anti-homofobia. Conforme agitava a política brasileira com seus preconceitos, acabou por atrair a atenção de um astrólogo e “filósofo”, Olavo de Carvalho. Hoje o candidato de extrema-direita brasileiro disputa a vaga de candidato anti-esquerda dos políticos moderados do PSDB, e tem em Olavo o seu ideólogo.

Olavo começou a transmitir a Bolsonaro e sua legião de fãs o discurso padrão do Partido Republicano norte-americano, bem como o discurso extremista de uma conspiração comunista mundial. O liberal de direita Reinaldo Azevedo vai chamar Olavo de “pigmaleão de Bolsonaro”.

Olavo de Carvalho, que reside nos Estados Unidos, é um dos principais articuladores do fortalecimento do conservadorismo aqui no Brasil, e já foi elogiado por outros políticos de direita, como Marco Feliciano.

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