8 Erros Fatais Cometidos pelo Partido dos Trabalhadores

Eu ia guardar esse texto para depois da eleição, mas decidi que não fará diferença. Algumas coisas precisam ser ditas.
Se o PT, por algum milagre vencer nas urnas, é fato que social e politicamente já está derrotado.
Vou elencar a sequência de erros fatais que contribuíram para essa derrota, com os eventos concretos.

De forma breve e sucinta:

1) REVOLTA DOS 20 CENTAVOS

Em junho de 2013 estoura uma revolta popular, motivada, de início, pelo aumento nos custos do transporte público. Rapidamente, milhões estavam nas ruas reivindicando pautas POPULARES, como mais investimentos em Saúde e Educação Pública, bem como contra o sistema político corrupto e também por mais participação na política – pautas historicamente ligadas à ESQUERDA. A resposta do PT foi a repressão, inclusive alinhada ao PSDB. O governo federal fez uso da Força Nacional para reprimir manifestantes, bem como da ABIN – Agência Brasileira de Inteligência, para caçar possíveis lideranças dos protestos.

À época, o então Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, ligado ao PT, afirmou que Black Blocs teriam fechado um acordo com o PCC para aterrorizar a população – numa clara tentativa de criminalizar a juventude que estava lutando nas ruas (em sua maior parte, jovens da periferia, segundo brilhante pesquisa da professora Esther Solano – Ciências Sociais UNIFESP).

Os protestos de 2013 tinham ampla adesão e apoio da população e terminou como terminou: com seu legado caluniado pelo petismo e roubado pela direita radical, que hoje mesmo goza de frutos que não são seus.

2) PROTESTOS CONTRA A COPA DE 2014

A realização da Copa no Brasil foi vista com maus olhos pela maior parte da população que, com razão, entendeu que era mais importante dar prioridade a questões relativas à Educação e Saúde pública (novamente, a reivindicação de direitos sociais – pautas da esquerda). Também houve vários protestos contra as remoções que aconteceram em volta dos Estádios, em que muitas pessoas perderam suas moradias. Houve, inclusive, manifestações do MTST (movimento dos trabalhadores sem teto, movimento que endossa o petismo).


A resposta ? Subordinação total do governo federal chefiada por Dilma Roussef (PT-MG) à FIFA, com ampla repressão aos movimentos populares e prisões de manifestantes.

Foi no ato de 2014 que começou a discussão acerca da Lei Antiterrorismo, supostamente criada para regulamentar a questão do terrorismo, porque havia uma “ameaça” do Estado Islâmico na Copa e nas Olimpíadas. Até mesmo a ONU manifestou preocupação diante do fato de que a Lei poderia ser usada contra os movimentos sociais.
Como se sabe, a FIFA fechou um acordo com o então governo para não pagar 1 centavo de impostos por usar as estruturas e capital do governo brasileiro.
Imagina como se sentiu a população.

3) SEGUNDO MANDATO DE DILMA ROUSSEFF

No segundo governo de Dilma, foram distribuídos ministérios para vários setores da DIREITA. Foi nessa oportunidade que Dilma nomeou Kátia Abreu, representante do latifúndio, para o Ministério da Agricultura, e Joaquim Levy, homem ligado ao Banco Bradesco, para a pasta da economia (Fazenda). O governo federal atacou direitos dos trabalhadores, sobretudo na questão do seguro-desemprego. Também fez cortes no bolsa-família, na Saúde e na Educação – o que quase resultou numa greve geral entre os profissionais do magistério.

O povo, novamente, sentiu-se traído.

4) IMPEACHMENT DE DILMA E ALIANÇA COM OS “GOLPISTAS” NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Durante o processo de impeachment, claramente o governo Dilma estava fraco e com pouco apoio popular. Isso ficou claro com o “Não Vai ter Golpe”, caso em que as bases do PT foram mobilizadas, o que não é pouca coisa, mas a maior parte da população apenas assistiu ao processo sem tomar uma posição clara.

Apesar da campanha, no mesmo ano o PT se aliou com partidos que foram peça chave no “golpe”. Como a população pode entender isso?

5) OCUPAÇÕES E GREVES ESTUDANTIS CONTRA A PEC 241/55 (EMENDA 95) E MP 746 (“REFORMA” DO ENSINO MÉDIO)

No final de 2016, diante da proposta da PEC 241/55 que visava congelar por 20 anos os investimentos em saúde e educação pública, bem como da MP 746, que visava dificultar o ensino de sociologia, filosofia, história e outras matérias fundamentais, os estudantes de diversas organizações e também muitos autônomos iniciaram uma luta radical contra o Estado brasileiro. Mais de 1000 escolas foram ocupadas, universidades pararam e milhares de estudantes fizeram greve.

O PT e suas bases, que fizeram? Quase nada. Ficou praticamente no discurso. Além disso, caluniou, boicotou e tentou sabotar as mobilizações autônomas ou não alinhadas à sua política.
A PEC, atual emenda 95, está em vigor.
6) Greve geral contra as “reformas” trabalhista e previdenciária
Em 2017, diante das propostas de “reforma” trabalhista e previdenciária, a população imediatamente se mostrou contrária . As centrais sindicais falavam em “Greve Geral”, mas eram apenas palavras ao vento. Por isso, as paralisações só passaram por intensa pressão das bases sobre as direções sindicais. A adesão às paralisações, apesar da resistência das direções, foi massiva. A maior parte da população a apoiava.
Entretanto, as mobilizações começaram cada vez mais tomar contornos de radicalização e começaram sair do controle das centrais. Em poucos meses a Greve Geral foi sepultada. A CUT, central sindical controlada pelo PT, foi parte nisso.
Mais uma grande mobilização sabotada. A “reforma” trabalhista passou e milhões de trabalhadores tiveram seus direitos atacados de forma dura e sistemática.

7) GREVE DOS CAMINHONEIROS

É verdade que parte da mobilização foi gerada pelo empresariado que queria tirar ganhos com a revolta . Mas não se limitou a isso. A greve reivindicava a redução dos preços nos combustíveis, pauta extremamente popular, levando em conta que o transporte público depende disso, e também pelos trabalhadores que tem seu próprio meio de transporte.

O PT classificou a greve unicamente como um “lockout”. Quando os petroleiros sinalizaram apoio aos caminhoneiros, dando ares de uma nova Greve Geral, imediatamente centrais sindicais pelegas, incluindo a CUT, assinaram um documento em que afirmavam que não chamariam Greve, pois queriam “fazer parte da solução, e não do problema”.
Quem acabou lucrando com a greve foi, pasmem, a extrema-direita, especialmente Bolsonaro.

8 ) ALIANÇA COM “GOLPISTAS” NAS ELEIÇÕES FEDERAIS

Como esperado, o PT fez alianças com os partidos golpistas, como se nada tivesse acontecido. Nem preciso gastar meu tempo aqui.

Para chegar em 2018, poucos dias antes da eleição, o PT falar que “venceu”, que vai “derrotar o fascismo”, e que vai lutar pela “democracia”.

Pior ainda, o PT afirma categoricamente que não precisa de autocrítica.

E tudo isso que o povo assistiu? Que o povo sofreu? Acharam que sairia barato? Claro que não.
A prática é a prova da verdade. E a verdade dói.

Morram com seus sonhos de “Estado Democrático de Direito” recitando o art. 5ª da Constituição.

Cansei.

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