A politica radical da greve de professores de Los Angeles

Por Jared Sacks, originalmente publicado na Roar Magazine em 18 de Janeiro de 2019

Se dependesse da capacidade de alguém para o otimismo, 2018 seria tanto a anunciada ressurreição da militância trabalhista nos Estados Unidos, ou, por outro lado, o fim anunciado de um movimento que está em um declínio quase terminal des os anos 1970. Dois eventos chave aconteceram no último ano, que, em uma análise, levou a previsões opostas dos trabalhadores nos EUA.

 

Primeiro, em fevereiro de 2018, depois de anos de austeridade sob controle Republicano, professores e funcionários das  escolas de West Virginia decidiram entrar em greve. Mas não foi uma suspensão convencional do trabalho. Em West Virginia professores são considerados provedores de “serviços essenciais”, tornando qualquer greve ilegal. Claro, isso é parte da razão pela qual políticos neoliberais têm sido capazes de passar por cima dos professores de West Virginia por décadas, fazendo  que ficassem em antepenúltimo lugar em termos de salários.

 

Entretanto,  também não ajudou  o fato de que seus sindicatos- a American Federation of Teachers, a National Education Association  e a West Virginia School Service Personnel Association – estavam todos absolutamente contra assumir qualquer risco, quanto mais uma paralisação ilegal dos trabalhos.

 

Mas, contra todas as expectativas, os professores de West Virginia cativaram a nação quando decidiram entrar em greve , buscando inspiração em uma longa história de greves radicais nas esgotadas minas de carvão do estado. Sua  ação selvagem possibilitou que 20000 professores fechassem escolas nos 55 municípios de West Virginia.

 

Isso virou  a opinião pública contra o governo-em vez não conseguir nenhum aumento, eles , por fim,conseguiram a exigência “impossível” de um aumento de 5%. Imediatamente, um ond de organização que  irrompeu por todo o país, incluindo ações em sequência pelos professores no Arizona, em Oklahoma, no Colorado e na Carolina do Norte.

 

Então, um segundo evento chave aconteceu: em Junho de 2018, a Suprema corte do EUA  decidiu contra os trabalhadores no notável caso Janus v. AFSCME. A decisão, que foi objeto da pressão de grupos conservadores de ativismo conservador, incluindo aqueles associados aos irmãos Koch,  anularam a decisão a decisão do caso de 1977 , Abood v. Detroit Board of Education, que permitia que os sindicatos cobrassem honorários dos não-membros que se beneficiassem dos contratos negociados pelos sindicatos em seu nome. Os sindicatos argumentam que esses acordos se mostraram essenciais prevenir o  problema bem comum do “lobo solitário”.

 

As previsões após o caso Janus foram sombrias, os maiores sindicatos como SEIU, UAW e NEA,  calcularam uma perda de dezenas de milhares de dólares assim como de 10 a 30 por cento de seus associados. Houve o temor que isso fosse o início do fim: ongs conservadoras entusiasmada, eles acreditavam, tentariam forçar uma legislação anti-sindical, espalhar sua propaganda baseada em “ fake news”, e tornariam quase impossível a organização nos lugares de trabalho.

 

Uma UTLA insurgente

 

Adiantando para 14 de janeiro de 2019, quando um grupo progressista insurgente assumiu a United Teachers of Los Angeles (UTLA)  que alguns anos depois  levou seus 32000 membros  a sua primeira greve local em 30 anos. A UTLA representa professores no Distrito Escolar  Unificado de Los Angeles, o segundo maior do país, ainda que com professores em algumas poucas charter schools– escolas  administradas por parcerias público-privada.

 

No protesto fora da Westchester High School na manhã da última segunda, apenas um professor que falou à ROAR tinha estado em um piquete- que foi durante a guerra anterior em 1989.  Entretanto, apesar da decisão doc aso Janus, nenhum professor de Westchester foi trabalhar naquele dia. Tornando escola em uma creche para os cerca de 80 estudantes que apareceram.

 

Mais tarde, uma  manifestação massiva aconteceu no centro da cidade. A polícia calculou de forma conservadora que a multidão consistia de pelo menos 20000 professores, muitos dos quais trouxeram cartazes feitos em casa, e fanfarras animavam a atmosfera.o apoio da comunidade era grande: carrinhos de comida vendiam cachorro quente com um desconto especial aos manifestantes e muitos carros  buzinavam em apoio ao passar. Foi aqui que ficou claro que algo não convencional estava em curso.

 

O que aconteceu ao dito problema do “lobo- solitário” que acreditavam q devastaria sindicatos como a UTLA?

 

Sindicalismo de Justiça Social

 

O presidente da UTLA Alex Caputo-Pearl descreveu sua abordagem de greve como “barganhar pelo bem comum”. Vindo de uma bancada progressista que era crítica veemente da liderança anterior do sindicato, Caputo-Pearl  trouxe para o primeiro plano exigências não-tradicionais, incluindo uma redução significativa do tamanho das turmas, a contratação de milhares de novos professores e pessoal de apoio como assistentes sociais, a redução dos testes padronizados, assim como outras demandas ques estão ligadas a melhorar a educação dos estudantes. Além disso, a nova liderança do UTLA os laços com grupos comunitários radicais como o Black Lives Matter e a militância anti-ICE.

 

No entanto, o que tornou essa greve  diferente, pelo menos no contexto do sindicalismo corporativo e altamente despolitizado dos Estados Unidos,  foi a forma como a UTLA tem usado a força da greve para forçar o distrito escolar a por fim ao seu apoio às charter schools.

 

Por anos, os dirigentes sindicais argumentava que a privatização das escolas era algo que simplesmente não poderia ser barganhado nas mesas de negociação. Mas Caputo-Pearl e seu time mostraram que isso simplesmente não era a verdade.. E mesmo se  não puserem um moratória nos contratos com as charter schools até os novos contratos, a UTLA está usando a greve para mudar a opinião pública preparando o caminho para a eleição de candidatos anti-privatização ao conselho do  LAUSD e tornar possível um referendo para expandir o financiamento para as escolas.

 

Desde que  a greve começou, o apoio pelas exigências da UTLA entre os residentes de LA aumentou de 60% ficos para  gritantes 80%. Aparentemente a combinação de sindicalismo de justiça social e ação direta tem um impacto político amplo que vai além da mesa de negociações.

 

O lado bom do caso Janus

 

Não há dúvida que existe um progresso na organização dos trabalhadores nos EUA tanto dentro quanto fora dos sindicatos na última meia dúzia de anos .trabalhadores da base tem se tornado progressivamente radicalizados em resposta ao estado da economia assim como à influência dos movimentos sociais pós recessão como o Occupy, o Black Lives Matter e a Luta pelos $15

 

Por esse lado, pode-se discutir sem a decisão do caso Janus não apenas significou o fim do “trabalhismo” nos EUA; muito mais que isso, essa derrota legal para os trabalhadores na verdade se tornou uma maldição para o complacente “sindicalismo de negócios” que acabou por definir os sindicatos americanos.

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O caso Janus tem forçado os dirigentes sindicais a ouvirem a base, a levar o pensamento operário– para citar a frase de Sylvain Lazarus- a sério. Se não fizerem , o resultado será ou a perda e membros se recusando a pagar os salários de dirigentes complacentes  ou, como vemos na UTLA, uma forma de trabalhismo insurgente ligando “fábrica e sociedade” e forçando o establishment sindical a dar espaço a um novo tipo de política radical trabalhista.

 

A UTLA é a primeira indicativa de que o fim dos honorários pode , na verdade, reorientar a politica dos sindicatos de volta para a su base. Então, talvez, devêssemos  enviar uma carta de agradecimento para os irmãos Koch , no fim das contas.

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Kaique Pimentel

cozinheiro, propagandista, rabisca uns textos de vez em quando....