Abdullah Öcalan-Doenças que causam o caos estão se espalhando

Originalmente Publicado pela Komun Academy

O poder e a exploração nas mãos da burguesia se desenvolveram como uma sociedade devoradora de câncer. Este câncer social tem os mesmos efeitos que o câncer que atinge as pessoas, a AIDS ou doenças similares. No momento em que nasceu a sociedade capitalista, Hobbes define o poder (o Estado) como uma necessidade “de impedir que cada homem se torne um lobo para o outro homem”. O oposto é correto. O capitalismo estabelece seu domínio para fazer o homem se tornar um lobo para o outro homem. Nos tempos modernos o homem tornou-se um lobo, não só para o homem, mas para a natureza inteira. Como poderia esta classe com o objetivo de maximizar o lucro e a acumulação não explorar a sociedade e a natureza, uma vez chegado ao poder?

Nenhum sistema social dominante atacou os alicerces da sociedade como o capitalismo atacou

O marxismo analisou escrupulosamente conceitos como valor, lucro, trabalho, imperialismo e guerra. No entanto, para compreender melhor a sua função dentro do marxismo, é necessário observá-los no contexto que aqui apresentamos. As descrições do “falso messias” nas Sagradas Escrituras, que devem chegar pouco antes do apocalipse, são bastante adequadas a esta classe. Nenhum sistema social dominante atacou e destruiu os fundamentos da sociedade e do ambiente natural, como fez o capitalismo. A nação é transformada em nacionalismo e fascismo com conotações racistas, o domínio da natureza numa catástrofe ecológica, o lucro no desemprego maciço. Ao mesmo tempo, o capitalismo devora-se a si mesmo. Gradualmente perde as suas características específicas e desmorona-se. É o próprio capitalismo, não o proletariado, que faz a contra-revolução contra si mesmo. Só será possível iniciar uma nova era social se se superar a sociedade de classes capitalista.

A sociedade pela primeira vez percebeu que está presa no caos.

O fato de o capitalismo considerar “todos um lobo para o outro” cria um problema geral de segurança. A segurança social não é ameaçada apenas por fatores externos, como o crime ou crimes legalmente definidos, ao invés disso, ameaças elementares são, acima de tudo, a fome e o desemprego produzidos pelo próprio sistema. Devido ao aumento dos custos, por um lado, e ao crescimento da população, por outro, os problemas de educação e saúde continuam por resolver. Doenças causadoras de caos, como o câncer, a AIDS e o estresse, estão se espalhando. A sociedade, que se vê privada de necessidades vitais básicas, como meio ambiente, moradia, saúde, educação, trabalho e segurança, percebe pela primeira vez na história que não consegue encontrar soluções radicais e que está presa ao caos. A falta de uma saída causa vertigens.

Quando a solidariedade comunitária se rompe e os mecanismos tradicionais de defesa são enfraquecidos, o poder individual ou um pequeno grupo toma o seu lugar. O terror da tribo e do clã desenvolve-se para se opor ao terror dos poderosos. Na medida em que o sistema de poder político-militar emerge abertamente nas estruturas estatais, é criada uma situação de legítima autodefesa para a sociedade. Na medida em que as normas legais gerais de igualdade do Estado não são aplicadas, aplica-se o embargo aos direitos humanos e à liberdade democrática de opinião e as forças de defesa popular também emergem necessariamente. Isto leva a uma espiral de poder e contrapoder, que em vez de contribuir para a solução da crise, a agrava.

O esporte e a arte são transformados em ferramentas anestesiantes

Atividades como o esporte e a arte, que de fato deveriam ajudar a mitigar e eliminar contradições materiais, assim como facilitar a compreensão mútua, são, ao invés disso, transformadas em ferramentas anestesiantes, que contribuem para criar falsas ilusões. Uma função semelhante é atribuída à religião, congregações e seitas, que impedem a sociedade de discernir a realidade. São construídos mundos transcendentais e comunidades conservadoras, que atuam como obstáculos no caminho para uma solução real. O trio esporte, arte e religião é roubado de sua verdadeira essência histórico-social, a fim de tornar a sociedade cega e insensível, com pára-lamas e corações de pedra. Com eles, são criados paradigmas ilusórios, para que a falta de uma saída seja aceite como inevitável. Este tipo de resistência contra o caos gera o efeito oposto, ou seja, multiplica-o ainda mais.

Atividades como o esporte e a arte, que de fato deveriam ajudar a mitigar e eliminar contradições materiais, assim como facilitar a compreensão mútua, são, ao invés disso, transformadas em ferramentas anestesiantes, que contribuem para criar falsas ilusões. Uma função semelhante é atribuída à religião, congregações e seitas, que impedem a sociedade de discernir a realidade. São construídos mundos transcendentais e comunidades conservadoras, que atuam como obstáculos no caminho para uma solução real. O trio esporte, arte e religião é roubado de sua verdadeira essência histórico-social, a fim de tornar a sociedade cega e insensível, com pára-lamas e corações de pedra. Com eles, são criados paradigmas ilusórios, para que a falta de uma saída seja aceite como inevitável. Este tipo de resistência contra o caos gera o efeito oposto, ou seja, multiplica-o ainda mais.

A batalha deve ser ganha especialmente no nível do intelecto, ou seja, da mentalidade.

Em tempos como estes, os esforços intelectuais são muito mais importantes do que em outros tempos. Em particular, como as estruturas científicas tradicionais, como as universidades e a religião, contribuem mais para a incompreensão do que para a compreensão, qualquer esforço intelectual verdadeiramente esclarecedor é ainda mais precioso. A ciência e a religião, escravos do poder, são extremamente eficazes na disseminação de paradigmas. falsos e distorcidos. Em tempos como estes, devemos ter muito cuidado com o papel contra-revolucionário da religião, da arte e do esporte. Há uma necessidade cada vez maior de uma certa ciência e de estruturas científicas capazes de oferecer à sociedade projetos reais e os paradigmas certos, que eu chamaria de “escolas e academias sócio-científicas”. A batalha deve ser ganha especialmente no plano do intelecto, ou seja, da mentalidade. Vivemos numa época em que a revolução intelectual é de importância decisiva.

Uma revolução de mentalidades deve ocorrer em união com valores morais. Quando as conquistas da mentalidade não andam de mãos dadas com os valores morais e éticos, o resultado permanece incerto e, em qualquer caso, transitório. É preciso ter em mente a enorme ruína ética que o sistema constrói e, por conseguinte, é preciso pôr em prática a conduta ética e moral, as personalidades e as instituições necessárias e preciosas para a sociedade.

Uma batalha contra o caos, que é desprovida de ética e moral, pode envolver o indivíduo e a sociedade. A moralidade nunca pode ignorar as tradições sociais, mas deve desenvolver uma nova ética social em harmonia com elas. Como o sistema dominante na fase do caos utiliza as instituições políticas e os seus instrumentos apenas para a demagogia, é preciso ter especial cuidado com a escolha dos meios e dos instrumentos políticos. Para que partidos, eleições, parlamentos e governos regionais tenham o seu papel na realização da sociedade ecológico-democrática, eles devem ser capazes de desenvolver os instrumentos para a solução dos problemas. 

Deve haver uma estreita relação entre a organização política, com sua prática, e a sociedade construída em um sentido democrático, municipal e ecológico. Na fase do caos, estes procedimentos geralmente formulados devem ser implementados.

Facebook Comments