Alt-Right: uma cartilha sobre o novo supremacismo branco.

Originalmente publicado pela Anti-defamation League em 2016

 

Uma das “palavras-chave” ligadas ao extremismo que as pessoas podem encontrar em 2016  é “alt-right”. O termo alt-right originou-se com extremistas mas  cada vez mais  tem chegado na mídia mainstream. Alt-right é  uma abreviação para “Alternative right”(direita alternativa). Esse termo vago abrange uma certa gama de pessoas na extrema direita que rejeitam o conservadorismo mainstream em prol de formas de conservadorismo que abraçam implícita ou explicitamente o racismo ou a supremacia branca.

 

O CEO da ADL, Jonathan Greenblatt explica quais são as crenças da alt-right, e porque ela é tão perigosa , à MSNBC

 

As pessoas que se identificam com a Alt-Right consideram conservadores mainstream ou tradicionais como fracos e impotentes, principalmente porque eles  não apoiam o racismo e o antissemitismo o suficiente. Alt-righters frequentemente atacam o movimento conservador  com o termo pejorativo “cuckservative”, popularizado em 2015. O termo “cuckservative”, uma combinação de “conservative”(conservador) e “cuckold”(corno), é usado por supremacistas brancos para descrever cristãos conservadores brancos  que promovem os interesses de judeus e não-brancos sobre os dos brancos.

 

Ainda que nem todas as pessoas na Alt-Right sejam supremacistas brancos, a maioria é e “identidade branca” é algo central para as pessoas nesse ambiente. De fato, os alt righters rejeitam o conservadorismo moderno explicitamente, porque acreditam que os conservadores mainstream não estão defendendo os interesses das pessoas brancas como um todo.

Como surgiu o termo alt-right?

O supremacista branco Richard Spencer que coordena o National Policy Institute, um pequeno think tank supremacista branco, cunhou o termo “Alternative Right” (Direita Alternativa) como o nome de uma publicação online lançada em 2010. O publicação online mudou de rumo em 2013 quando Spencer a tirou do ar. Logo ela  foi relançada por Colin Lidell e Andy Nowicki que eram ex-autores na Alternative Right. Spencer fundou outro jornal online, o Radix.tanto a Alternative Right quanto o Radix agem como fórum para racistas, antissemitas e outros que se identificam com a alt right.

 

O termo Alt-Right não é o único termo usado para descrever esse movimento. Alguns de seus seguidores usam outras frases similares, como “New Right”(Nova Direita) e “Dissident Right”(Direita Dissidente). Todos eles se referem ao mesmo tipo de  conservadorismo extremo injetado com raça.

Qual a ideologia da Alt-Right?

Os seguidores da Alt-Right se identificam com uma variedade de ideologias diferentes que colocam a identidade branca nos seus pontos centrais. Muitos se reivindicam como identitários, um termo que se originou na França com a fundação do movimento Bloc Identitaire  e sua contraparte juvenil, a Generation Identitaire.os identitários aderem ao racismo e à intolerância sob o pretexto de preservar as origens étnicas e culturais de seus respectivos países. Os identitários americanos como Richard Spencer dizem que querem preservar a cultura europeia-americana(ou seja, branca) nos EUA. como  Michael McGregor, escritor e editor do Radix escreveu em  em um artigo na publicação, identitários querem “ a preservação da nossa identidade- a herança cultural e genética que nos faz quem nós somos.” Os identitários rejeitam o multiculturalismo ou o pluralismo de qualquer forma.
Outros na Alt-Right se identificam como tradicionalistas radicais, pessoas que querem preservar o que eles dizem ser os valores tradicionais cristãos mas de uma perspectiva supremacista branca única. A Traditionalist Youth Network é um grupo que reivindica uma forma supremacista branca de cristianismo e promove “povo e família” e separação das raças.

 

Outros na Alt-Right simplesmente se identificam como nacionalistas brancos, que querem preservar a maioria branca nos EUA, dizendo que os brancos estarem perdendo seu status de maioria é equivalente a um “genocídio branco”.eles favorecem a propaganda sobre  assuntos como imigração e “crime negro” como “evidências” dessa ostensiva limpeza étnica contra os brancos.

 

Essas são pessoas com outras crenças que ficam sob o guarda-chuva da Alt-Right mas todas compartilham a fixação pela identidade branca  como central na sua ideologia. Segmentos diferentes da Alt-Right pode se referir a si mesmos como neo-reacionários(aqueles que rejeitam a democracia liberal e as ideias associadas ao iluminismo. Alguns desses neo-reacionaŕios referem a essas teorias como “Dark Enlightment”.) outros costumam se reivindicar “realistas da raça” ou alternativamente  defensores da “HBD”(Human biodiversity), uma referência a biodiversidade humana(esses acreditam que  a raça de alguém define traços como comportamento e inteligência-com os não-brancos sendo inferiores aos brancos). Contudo os alt-righters rejeitam o igualitarismo, a democracia, o universalismo e o multiculturalismo.

Uma parte dos alt-righters também  flagrantemente anti semitas e culpam os judeus por possivelmente promover políticas anti-brancos como a imigração e a diversidade. Alt-righters  ridicularizam o apoio conservador a Israel como anti-branco. A mulher por trás do twitter da Alt-Right escreveu recentemente , “eu apoio TODOS os judeus vivendo em Israel ou em uma área pré-definida.”

Quem é a Alt-Right?

 

A alt-right é um movimento extremamente frouxo, formada por pessoas diferentes conectadas pelo supremacismo branco. Uma parte dos adeptos é de “intelectuais” ostensivamente racistas que criaram muitas das doutrinas e princípios do movimento supremacista branco. Eles buscam atrair jovens brancos educados para o movimento destacando conquistas e a suposta superioridade intelectual e cultural dos brancos. Eles tocam uma série de pequenas iniciativas que incluem think tank, publicações online e editoras. Elas incluem Radix e Washington summit Publishers, ambas administradas por Richard Spencer; Counter Currents Publishing, administrada por Greg Johnson; american Renaissance, administrada por Jared Taylor; e The Right Stuff, um blog politico e social com um grupo de colaboradores.

 

Outra vertente da Alt-Right consiste em jovens racistas experientes em social media e em comunicações na internet. Nos últimos meses, uma parte desses alt-righters promoveram a campanha eleitoral de Donald Trump, vendo o candidato populista como alguém mais bruto que os chamados “cuckservatives,”

Graças a suas contraditórias posições  contra a imigração de muçulmanos para a América.

 

Os alt-righters gostam de usar termos como “cultura” como substitutos para  termos para-raio como “raça”, ou promover a “civilização ocidental” como um código para cultura ou identidade branca. Eles não fazem referências explícitas à supremacia como as “14 palavras”,por exemplo,  um slogan usado por neonazistas e outros supremacistas linha-dura. As “14 palavras” se referem à expressão, “nós precisamos assegurar a existência do nosso povo e o futuro das crianças brancas.” ainda que os alt-righters compartilhem do sentimento por trás das “14 palavras” eles estão mais inclinados a falar sobre preservar a identidade euro-americana.

Qual o impacto da Alt-Right?

 

Ainda que a Alt-Right não seja , em si, um movimento, o número de pessoas que se identificam com ela está crescendo. O que inclui uma quantidade de jovens que aderem a crenças racistas e antissemitas. Eles  fazem  uma presença barulhenta online. Os intelectuais racistas que se identificam como parte da Alt-Right também tocam  várias publicações e editoras que promovem ideias supremacistas brancas. Seu objetivo é influenciar os brancos mainstream expondo seu conceito de identidade branca e consciência racial.

 

O termo “Alternative Right”(Direita Alternativa) é uma tentativa consciente dessas pessoas de delimitar parte do espectro conservador e  declarar que merecem voz nas negociações conservadoras. O term “Alternative Right”(direita alternativa) explicitamente evita o uso da palavra “raça” e invoca imagens rebeldes e anti-sistema- em geral atrativas para a juventude. A “Alt-right” e de uma forma uma tentativa dos supremacistas brancos de infiltrar as negociações conservadoras que claramente os excluíram nas décadas recentes.

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Kaique Pimentel

cozinheiro, propagandista, rabisca uns textos de vez em quando....