BRUMADINHO – No capitalismo o crime VALE a pena?

Solução para crimes ambientais passa por reflexão sobre a lógica do lucro.

No Brasil as grandes empresas não costumam pagar multas por prejuízos causados ao meio ambiente. Segundo um levantamento realizado pelo jornal O Globo junto ao IBAMA em 2018,  desde 2015 empresas envolvidas em desastres ambientais quitaram apenas 3,4% de R$ 785 milhões em multas.

Porém, quando ocorrem crimes ambientais de dimensões realmente catastróficas no Brasil (como foi no caso do rompimento da barragem de Córrego Feijão em Brumadinho/Minas Gerais), nem mesmo os políticos que parecem ter um verdadeiro desdém pelos que militam por causas ambientais, tem coragem de dizer em público que discordam da existência e da aplicação das multas.

Sabemos até o momento que, pela tragédia de Brumadinho, o governo de Minas Gerais multou a Vale S/A em 99 milhões, já o IBAMA prometeu aplicar uma multa de 250 milhões de reais!

Sei que para o pobre isso parece um dinheiro surreal, mas, para você ter uma ideia,  5.7 BILHÕES de reais é o número que corresponde ao lucro da mineradora apenas no primeiro trimestre de 2018! Já o último balanço de lucro anual da Vale disponível na internet foi de 2017 e corresponde a 17,6 BILHÕES.

Em resumo: As multas até então anunciadas são dinheiro de pinga para a Vale. 


Um crime que compensa?

Saiba você que o reforço de barragens e a gerencia de riscos ambientais, que este tipo de obra exige, podem alcançar o valor de cerca de 168 milhões de reais. A informação está em um relatório que a mineradora Samarco apresentou em 2015, na tentativa justificar-se frente ao crime envolvendo a barragem de Fundão em Mariana-MG, de propriedade da mesma empresa. A Samarco alegou, na ocasião do desastre, que investiu 80 milhões no reforço das barragens apenas em 2014 e 88 milhões na gestão de riscos ambientais (se a empresa gastou ou não essa quantia não sabemos, mas os números para o reforço das barragens de minério não devem se distanciar muito dos sugeridos. Afinal, para tentar recuperar a credibilidade a Samarco não inventaria um numero qualquer, isso seria burrice).

Também após o desastre do rompimento da barragem de Mariana-MG foi emitido um outro relatório, que recebeu destaque nos veículos de comunicação, o relatório da Agência Nacional de Águas (ANA), que apontava um salto de 25 em 2016, para 45 em 2017 no numero de barragens com risco eminente de rompimento no Brasil, o que nos leva a concluir que o que ocorreu em Brumadinho era a verdadeira crônica da morte anunciada e que mais desastres podem ocorrer, dentro em breve, se nada for feito.

Tendo isso em vista, pergunto: O que você acha que dói mais no “bolso da Vale” pagar 300 milhões em multa, pagar mais 20, 30 mil (ou até 100 mil) de indenização para as famílias de cada vitima da tragédia ou reforçar 45 barragens pelo custo de 168 milhões de reais, sendo 88 milhões destes 168, gastos constantes com gerência de riscos ambientais?

Ou melhor: “doí mais no bolso” arcar com os custos de um desastre ambiental ou reforçar e gerir os riscos das 143 barragens de rejeitos que a Vale possui no Brasil? Faz essa conta.

Se na balança o lucro ainda for maior que arcar com um assassinato em massa a cada 3, 5 ou 10 anos… Pode apostar que uma empresa desse porte optará sempre pelo lucro.

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