[Canadá] Antes dos Caminhões: a islamofobia como veículo para o fascismo

Este é o primeiro de uma série de artigos que tem como intenção analisar o cenário no território ocupado pelo Estado do Canadá no contexto do “Comboio da Liberdade” (“Freedom Convoy” na língua dos gringos), um evento massivo que gerou inúmeras interpretações. Neste artigo, Pixo entra em detalhes sobre o mito do excepcionalismo canadense e analisa um caso recente, horripilante de violência extrema contra muçulmanos em Quebec e seus desdobramentos.

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O erro crasso de usar a ultra-direita como cálculo eleitoral — Resposta ao “segundo turno ideal” de Breno Altman

“A ponte que construo entre os conceitos abordados até agora é que a técnica (cálculo eleitoral segundo a esquerda oficial), de usar espantalhos para evitar críticas, esconder contradições e reposicionar o centro político, equivale, em efeito, ao de um Think Tank cujo objetivo é mover a opinião pública para a direita. O uso do inimigo ideal só teria sentido em um contexto de mudança radical, onde é prevista sua aniquilação. Na democracia, burguesa assim dizendo, os polos do discurso políticos imitam os polos de um ímã, que não podem ser isolados. O uso de espantalhos como Trump e Bolsonaro para ganhar os votos no “menos pior” movimenta a janela de discurso à extrema-direita e naturaliza suas opiniões, abrindo caminho para uma futura vitória deles.
Na ausência de um processo revolucionário, o uso de espantalhos cava sua própria cova, pois mostra-se enviesado na vitória e fatal na derrota. É essencial construir movimentos sociais cuja atuação fuja de maniqueísmos e personalismos no andar de cima, mas que empurre a base, a janela de discurso, ou seja, a opinião pública, de volta ao campo popular, de forma que, independente das siglas majoritárias nas disputas palacianas, as decisões tomadas por elas reflitam ideais de igualdade e solidariedade construídos na base da sociedade civil. Quando se cria consenso popular sobre uma pauta ou causa, o governo, até por demagogia, vai se submeter. Construir mais os movimentos e menos os candidatos. Até porque o congresso que criou o SUS tinha 16 petistas, o que entregou o pré-sal tinha uns 70.”

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