Comandante-chefe do exército não vai punir general que falou em intervenção militar

O comandante-chefe do exército brasileiro, o General Eduardo Villa Bôas comentou neste terça-feira (19/09), no programa do jornalista Pedro Bial, o desastroso depoimento do general Hamilton Mourão. Hamilton Mourão defendeu na última sexta-feira a possibilidade de uma intervenção militar (golpe) e inclusive afirmou que essa opinião era compartilhada com o alto comando.

Ao invés de condenar a posição do general Mourão, o comandante do exército relativizou sua fala e disse que não haveria punição e que “tudo já estava resolvido”. Apesar de dizer que a “ditadura nunca é o melhor”, o comandante elogiou o crescimento econômico durante o regime militar, ignorando a brutal crise econômica (iniciada ainda no regime militar) dos anos 80, a concentração de riqueza, o aumento absurdo da dívida externa brasileira, o aprofundamento da desigualdade e o rebaixamento do salário mínimo. Muitos dos problemas sociais que vivemos hoje tem origens na ditadura militar brasileira.

O comandante também associou as reservas indígenas à “interesses externos” de potências estrangeiras, reforçando o estereótipo de que a luta dos povos indígenas por suas reservas não é justa. Apoiou também uma “segurança jurídica” do exército, o que traduzindo seria a possibilidade de militares serem julgados apenas por um tribunal militar, dando carta branca para cometerem crimes contra a população e serem absolvidos. 

Infelizmente o exército brasileiro ainda flerta com o golpismo, não faz nenhuma autocrítica sobre sua atuação durante a ditadura, que calou o país por 21 anos com censura, repressão e tortura.  E do que depender do atual comando e governo, os candidatos a golpistas não serão punidos. Olho aberto.

 

Dica de livro sobre ditadura militar: Marcos Napolitano – 1964: História do Regime militar brasileiro

 

Entrevista com o historiador Marcos Napolitano sobre a ditadura militar

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