Demonstração anti-capitalista internacional contra a cúpula do G20: Bem-vindo ao inferno

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Quando os chefes de governo dos 20 países mais poderosos do mundo chegarem no dia 6 de julho e os meios de comunicação mundiais reunidos estiverem à espera de notícias de crises em torno dos salões de reuniões de Hamburgo, já estaremos nas ruas.

Estamos nos mobilizando internacionalmente para transformar Hamburgo em um local e um ponto de demonstração de resistência contra antigas e novas autoridades do capitalismo.

Uma manifestação na véspera do G20 mostrará revolta e resistência, crítica e prática radical contra o Estado patriarcal e capitalista. Estamos resistindo a priorizar conversas receptivas e bate-papo ao lado da fogueira durante os dias que se seguem.

O G20 está criando um estado de emergência temporário e sua tendência política representa tudo contra o qual estamos lutando. A polícia e as forças armadas estão presentes nos telhados de Hamburgo durante a cúpula e estão perpetuando regimes capitalistas em todo o mundo. Os modelos capitalistas neoliberais e protecionistas são igualmente parte da exploração global, da segregação e do empobrecimento.

Se essa violência cínica vai ser ou não abafada por grandes recepções e belas fotos também está em jogo durante os dias quentes de Hamburgo. Estamos nos opondo à Cúpula, bem como tanto quanto nos esforçamos para incluir a crítica política e a resistência como parte do teatro da cúpula como uma instituição democrática.
Considerar cúpulas como o G20 e instituições como o FMI, a OMC ou o Banco Mundial são instrumentos de paz, direitos humanos ou políticas climáticas é uma das grandes mentiras e ilusões dos poderes estabelecidos.

Quando as migalhas da politicagem global forem recolhidas após a cúpula de 9 de julho, o capitalismo e a exploração ainda existirão. No final do dia, haverão declarações finais e relatórios buscando o sucesso dos órgãos políticos e públicos reunidos. Crises e guerras fazem parte do sistema capitalista, assim como manifestações e escândalos fazem parte da orquestra da cúpula. Cabe a nós iniciarmos uma nova etapa e novas perspectivas de resistência.

O triunfo aparentemente incontestável do capitalismo deixou um rastro de devastação. A guerra é predominante não apenas como conflito militar, mas também na mente de mais e mais pessoas. Uma multidão racista está se mobilizando na Alemanha, em toda a Europa e em todo o mundo. Ideias raciais e nacionalistas estão sendo aceitáveis ​​novamente. Entre outros, populistas de direita e fascistas conseguiram realizar uma mudança do discurso da sociedade para a direita.


Estados fortes e fronteiras fechadas estão sendo exigidos cada vez mais. Guerras terceirizadas por esferas de interesses – instrumentos de ordem mundial criados no século anterior e antes – aparecem mais do que nunca como meios legítimos para atingir fins políticos. Vivemos em um momento de crescente nacionalismo e ódio as minorias. Pogroms contra refugiados e outros grupos populacionais não-majoritários, ataques contra pessoas homossexuais, trans* ou inter*, bem como o fanatismo de qualquer tipo estão aumentando dramaticamente.

Migração e deslocamento são pontos centrais da cúpula e dos protestos também. Não é sobre a liberdade de ir e vir para todos, nem mesmo caminhos de migração seguros para evitar a morte em massa no Mediterrâneo. Ao contrário, as fronteiras e o fluxo de mercadorias estão sendo garantidos. Os acordos cínicos e sujos prevalecem, enquanto a cúpula segue seu rumo.

A lógica do valor capitalista deve expandir-se para todos os cantos nas metrópoles, bem como na periferia das regiões rurais. No entanto, o avanço mundial do Capitalismo também vale para a resistência. Por exemplo, a resistência contra projetos de mineração na Colômbia está ligada a lutas político-urbanas contra a usina de carvão de Moorburg, no porto de Hamburgo, que usa o carvão colombiano como recurso.

A devastação e a migração causadas pelo aquecimento global estão diretamente relacionadas à luta pelo direito à moradia. As conexões nos interesses de exploração capitalista podem ser demonstradas, criticadas e confrontadas politicamente. A resistência ao G20 deve concentrar-se nessas interdependências numa escala local e global e desenvolver relações mútuas e práticas firmes.

Uma resistência em massa variável e imprevisível irá perturbar os procedimentos suaves do funcionamento da cúpula.
Muitas pessoas se defenderão contra essa disputa de poder – politica e concretamente. Ao contrário da oposição civil, não vamos sugerir alternativas para manter o sistema capitalista vivo. Nós nos oporemos a opressão, exploração e exclusão com coletividade e solidariedade.

Organizem-se, sejam criativo e contribuam vociferantemente, com raiva e firmeza para a manifestação internacional anticapitalista em 6 de julho. Deixem essa manifestação ser uma primeira expressão de nossa resistência e nosso antagonismo inconciliável em relação às condições hegemônicas e ao espetáculo da cúpula. Iniciem a revolução social!

Começaremos no dia 6 de julho às 16h com uma ótima reunião de abertura. Serão realizadas contribuições culturais, musicais e políticas. A partir das 19h, a manifestação se aproximará da zona vermelha e a reunião final será realizada a poucos passos da localização da cúpula nas salas de exposições.

Não deixe o capitalismo te derrubar – resistência vive!

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