“Desgraça, estás de pé; agora toma o rumo que bem te parecer.”: um perfil de Rafael Lusvarghi

Dando continuação a nossa  série de artigos sobre a Quarta Teoria Política, apresentamos um personagem já conhecido mas que tem suas afiliações políticas pouco exploradas. Preso na Ucrânia em 2016, condenado por terrorismo e recrutamento de mercenários para atuar no conflito da região do Donbass, Rafael Marques Lusvarghi teve um papel importante na divulgação da QTP no Brasil e recrutou brasileiros e estrangeiros para lutar com os separatistas russos

Nascido em Jundiaí, em uma família de descendentes de húngaros, Rafael  Marques Lusvarghi, antes de se tornar famoso pelo apego a uma identidade guerreira ligada a imagem de uma masculinidade presa a uma pulsão de morte latente,estudou comércio exterior na FATEC , enquanto mantinha um fascínio pela legião estrangeira. No início dos anos 2000, se alistou e serviu a legião na divisão de montanha , lotado em Calvi, na Córsega, fazendo parte do 2REP (2eme Régiment de Étranger Parachutistes-segundo regimento de paraquedistas estrangeiros)

Após  a baixa e 2005, volta ao Brasil onde passa no concurso da PM-SP, onde reclama e diversas entrevistas posteriores da falta de ação:

Recuperado, de volta no Brasil, passei em concurso para Soldado da PM do Estado de São Paulo em fins de 2005. Lá meu serviço foi basicamente interno, com apenas algumas poucas rondas ostensivas e rádio patrulha. Mas mesmo assim aprendi muito sobre funcionamento da área administrativa, e a parte burocrática sem a qual é impossível gerar uma grande força. Apesar de não gostar deste papel, considero indispensável a burocracia e padronização de procedimentos e modos operantes.”

 Em setembro em 2007 troca a PMSP pela Academia de Oficiais da Polícia Militar Coronel Fontoura, no Pará, onde atua , segundo ele mesmo, por “tradicionalismo” na Cavalaria. 

Em 2010 dá baixa na PMPA e vai morar na Rússia, onde estuda medicina na universidade estatal de Kursk por um ano e meio.

Manifestações 2014 e prisão

Lusvarghi ficou conhecido no Brasil após ser preso duas vezes nas manifestações contra a Copa do Mundo em junho de 2014 em São Paulo. Preso pela  primeira vez no dia da abertura do mundial, estava usando kilt e apareceu em fotos com marcas de bala de borracha pelo corpo e precisou ser contido por 5 policiais e as imagens de sua prisão se tornaram virais. Preso novamente no dia 29 de junho junto ao estudante Fabio Hideki Arano, foi acusado ser “black bloc”, depredação, porte de materiais explosivos e de usar a internet para convocar para atos de depredação durante as manifestações. Após passar 45 dias preso e acusar os policiais de São Paulo de praticar tortura no momento de sua prisão, Rafael é solto e dá uma entrevista dizendo que pretende se juntar aos separatistas russos no Donbass. À época, Lusvarghi trabalhava como professor de Inglês e disse ter perdido o emprego após a primeira prisão.

Ucrânia

As províncias de Lugansk e Donetsk, no leste ucraniano, possuem maioria étnica Russa e proclamaram sua independência do governo de Kiev em maio de 2014, tornando se assim Repúblicas Populares e firmando um acordo que estabeleceu um projeto de confederação conhecido como Nova Rússia. 

Nova  Rússia ou Novorossiya é um nome histórico usado na época do Império Russo para a região ao norte do Mar Negro, que hoje é, na sua maioria, a parte sul e leste da Ucrânia.  Também é o nome usado por um projeto de confederação que inclui entre as auto proclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk parte dos territórios dos oblasts ucranianos de Donestk e Lugansk  antigamente pertencentes ao Império Russo,portanto o território possui maioria étnica russa e consequentemente a língua russa é a mais falada

A ideia de combater pela Nova Russia veio supostamente do professado amor de Rafael pela Rússia e pelo povo eslavo 

Em entrevista a revista Istoé publicada em agosto de 2014, quando perguntado o que o havia levado a se alistar, Rafael respondeu: 

“Luto aqui exclusivamente pela Grande e Sagrada Mãe Rússia, a terra dos meus ancestrais, pois o sangue que corre na minha veia é o mesmo do povo daqui. Politicamente sou totalmente contra o liberalismo, a política atual da União Europeia e dos EUA. Mas minha luta, acima de tudo, é pela independência do povo russo e pela união desse povo sob um só país e uma só liderança.”

Na ocasião de sua segunda prisão em SP, seu irmão Lucas, disse em entrevista ao G1 que Lusvarghi “fala melhor russo do que português”. 

Lusvarghi se alistou no Exército Regular da República Popular de Donetsk após sair da Penitenciária de Tremembé, onde ficou preso por 45 dias. Chegou a Lugansk, cidade do leste ucraniano, para lutar ao lado dos separatistas russos em setembro de 2014. Em entrevista dada a Marina Darmaros da Gazeta Russa em outubro de 2014, disse como se deu seu recrutamento para as forças separatistas .

“Através de amigos mais envolvidos em política que eu, e meus amigos da juventude euroasiática, soube do recrutamento, e sendo sempre pró-russófilos (sic), seguidor da quarta teoria política de Aleksandr Dugin, e contra o imperialismo atlantista (EUA e UE) ocidental, decidi vir defender o povo de Novorôssia. Acertei minha vinda ainda em junho, para o dia 28. Mas, por contratempos no Brasil, só pude me apresentar para servir dia 20 de setembro.”

Por mais que alguns setores da  esquerda brasileira tentem resumir o conflito no leste ucraniano a um embate entre uma extrema-direita apoiada pelos Estados unidos e União Europeia, e uma esquerda anti-imperialista do lado pró-russo, as coisas não são simples como muitos gostariam. Dan Glazebrook, em sua série de artigos “Vestindo a esquerda de camisas negras” descreve como o que ele chama de “fascismo anti-imperialista” vem se infiltrando na esquerda: através da “aliança vermelho-marrom” proposta pelo cientista político russo Aleksandr Dugin. A estratégia seria “uma tentativa de unificar a extrema-esquerda e a extrema-direita sob liderança hegemônica da última”. Apesar do propagado discurso anti-imperialista – contra a hegemonia dos EUA, a favor de um “mundo multipolar”.

Rafael Lusvarghi e a “estrela do Caos”, simbolo da Quarta Teoria Política

Especialistas ouvidos pela Vice em agosto de 2019 disseram que a extrema-direita europeia usa o conflito na região como campo de treinamento, criando “uma rede global de extremistas com experiência de combate que representam uma ameaça de segurança que só agora está começando a se manifestar.”

Kacper Rekawek, líder dos programas de defesa e segurança da think tank Globsec da Eslováquia, disse em entrevista a Vice que muitas vezes, o que leva os combatentes a ir escolher um dos lados é mero acaso. 

“Aqueles que se juntaram à milícia de extrema-direita ucraniana se veem como colegas ultranacionalistas europeus indo contra a agressão russa. Rekawek disse que neonazistas suecos que se juntaram ao lado ucraniano se veem basicamente como “a continuação de Segunda Guerra Mundial no front do Leste Europeu. Você é um europeu branco lutando contra o Ásia, na forma da Rússia”. Em alguns casos desconcertantes, russos de extrema-direita lutam ao lado de nacionalistas ucranianos contra as forças separatistas apoiadas pelo Kremlin.

Enquanto isso, os combatentes de extrema-direita estrangeiros que se juntaram aos separatistas pró-Rússia veem a batalha como a defesa do direito dos separatistas contra o imperialismo ocidental. Muita gente lá também tem um senso de lealdade com Vladimir Putin, defendido por muitos na extrema-direita como um dos últimos defensores da Europa cristã branca tradicionalista.”

De acordo com Sara Meger, professora de relações internacionais da Universidade de Melbourne, o lado pró russo não teria uma agenda ideológica coerente, atraindo voluntários que se identificam como de extrema-esquerda pois eles acreditam que estão em “uma luta contra a hegemonia americana”.

Talvez o maior papel que os voluntários como Rafael Lusvarghi desempenharam na guerra tenha sido o da propaganda. Seja através das muitas entrevistas – não só aos meios de propaganda russo, como o já usual, mas também a alguns veículos tradicionais da mídia brasileira – e através das redes sociais e do youtube, Lusvarghi foi um grande divulgador da causa separatista. Em vídeos e fotos postados na página do facebook do Viking Battalion – Team Vikernes, Rafael mostrava cenas de treinamentos e cenas pós-batalha, além de já ter postado vídeos de ataques com morteiros a soldados ucranianos nas redes sociais. Ainda é possível acessar boa parte desse conteúdo em seu canal do youtube e no perfil da rede social russa Vkontakte do Team Vikernes. Apesar de não atuar diretamente no recrutamento de brasileiros para o front – os responsáveis por isso seriam a Unité Continentale e a Frente Brasileira de Solidariedade com a Ucrânia – ajudava os voluntários conversando para dividir sua experiência e trocar dicas e informações.

O Team Vikernes era, segundo a descrição na página do Vkontakte, um “grupo de voluntários estrangeiros lutando no lado pró-russo na guerra do Donbass desde 2014” e contava com cinco  brasileiros, um espanhol, três franceses e um norte-americano. Mais 12 brasileiros teriam passado pelo grupo, segundo informações dadas ao G1 por Raul Athaide, outro voluntário brasileiro que lutou ao lado dos separatistas russos.

Logo do Team Vikernes

“Quero precisar que respondi ao chamado da Frente Brasileira de Solidariedade com a Ucrânia (que apesar do nome é pró-Rússia) e da Brigada Continental, braço armado da organização Unidade Continental, movimento que é a síntese entre as Forças Armadas da Colômbia e o Hezbollah” Rafael Lusvarghi para o G1 

A Frente Brasileira de Solidariedade com a Ucrânia foi fundada por Raphael Machado, da Nova Resistência. Em maio de 2015, o Portal Legionário republicou reportagem do Sputnik noticiando um crowdfunding organizado pela Frente, com o apoio dos blogs Portal Legionário e Legio Victrix,  para comprar passagens de avião para um grupo de quatro voluntários que iriam se juntar ao Team Vikernes, liderado por Lusvarghi. Ainda segundo o Sputnik, o papel de Raphael Machado e a Frente de Solidariedade Brasileira com Ucrânia “informa (r) aos interessados e coordena (r) a chegada de voluntários brasileiros através de contatos em Moscou ligados ao Movimento Eurasiano, os quais, posteriormente, ajudam aos voluntários a entrar na Ucrânia e estabelecer contato com os grupos de brigadas que atuam na Nova Rússia”. Na matéria, Machado relata não ter mais ligação com a Unité Continentale, somente com Lusvarghi e seu Team Vikernes. (

Em artigo de Yan Boechat para a revista Istoé em abril de 2015 , é dito que foi através da página de Machado no Facebook que muitos dos voluntários entraram em contato com Rafael Lusvarghi. Raphael Machado disse  à época que, em poucos meses, mais de 150 pessoas entraram em contato com a página para saber como participar da guerra. O artigo discorre sobre como se daria o recrutamento para a unidade de Lusvarghi, a época chamada Unidade Internacionalista Che Guevara

“A conexão Brasil-Donbass funciona de forma simples. Os brasileiros compram passagem para Moscou e lá são recebidos por uma pessoa ligada aos separatistas que os hospedam em um apartamento na capital russa. Em poucos dias, embarcam num ônibus com outros voluntários estrangeiros e russos, diretamente para Lugansk, uma das principais cidades da região separatista. Ali o grupo é recepcionado por Rafael Lusvarghi e encaminhando de imediato para Pervomais’k, uma tenebrosa cidade fantasma que já foi habitada por 60 mil pessoas. Danificada pelos bombardeios e praticamente abandonada pela população civil, Pervomais’k é a porta para os combates – fica a menos de cinco quilômetros das trincheiras das forças armadas ucranianas. Rafael Lusvargui recebeu autorização do batalhão cossaco do qual faz parte para criar um pelotão de reconhecimento e sabotagem batizado de Unidade Internacionalista Ernesto “Che” Guevara. A expectativa é de que pelo menos seis novos brasileiros cheguem a Pervomais’k nas próximas semanas.”

A Unité Continentale, segundo voluntario servio que lutou no front ucraniano e deu entrevista ao blog do escritor britânico Christopher Othen em condição de anonimato, é “uma organização política francesa de extrema-direita que divulga um ponto de vista ‘Eurasiano” e vê o globalismo americano como  maior ameaça a Europa”. O grupo teria surgido após a dissolução do Front Européen de Liberatión (https://en.m.wikipedia.org/wiki/European_Liberation_Front) – grupo Strasserista comandado por Christian Bouchet. Apesar do nome do grupo dar a entender que ele tem certa penetração no continente europeu, o voluntário diz que suas únicas ligações aparentes são com a Sérvia. Os responsáveis pelo recrutamento, tanto na França quanto na Sérvia, eram Victor Lenta, um ex militar francês que foi expulso do exército por ter conexão com grupos de extrema-direita envolvidos em incêndios criminosos de mesquitas, e o franco-sérvio Nikola Perovic. Ambos são veteranos das forças de elite do exército francês.

Em artigo da Folha de SP de julho de 2018 sobre outros voluntários brasileiros que participaram do conflito do lado pro-russo, o papel de Lusvarghi como garoto-propaganda dos separatistas e como ele ajudava os recém-chegados na região, com apoio de um grupo organizado de Moscou:

“O ponto de convergência entre todos esses indivíduos é Rafael Lusvarghi. O jovem homem, que é ex-PM de São Paulo, se transformou em um tipo de garoto-propaganda dos rebeldes e, com todo apoio proporcionado por um grupo organizado em Moscou, constituía-se na porção de uma estrutura que ajudava os brasileiros a chegarem à região leste da Ucrânia, fazendo uma viagem de ônibus pelo interior do território russo.”

De Unidade Internacional Che Guevara a Team Vikernes: Rafael Lusvarghi é de esquerda?

Varg Vikernes, a pessoa que dá nome e serve como logo do grupo de combate liderado por Lusvarghi, é o fundador da banda Burzum. Ele foi preso em 1993 pelo assassinato de seu colega Euronymous da banda Mayhem, e esteve envolvido com a queima criminosa de igrejas históricas na Noruega nos anos 90 promovida pela cena NSBM (National Socialist Black Metal). Varg também foi preso na França, acusado de planejar um atentado terrorista em 2013 junto a sua esposa, Marie Cachet. Ele começou a ser investigado pela polícia francesa após receber uma cópia do manifesto do terrorista de extrema-direita norueguês Anders Breivik   que matou 77 pessoas em Oslo(dessas 77, 69 eram jovens militantes do Partido Trabalhista Norueguês, que estavam em um acampamento do partido na ilha de Utøya, na periferia de Oslo) em 2011 – Varg recebeu o manifesto diretamente de Breivik, que o enviou para todos seus contatos no facebook antes de cometer os atentados. Seu canal no Youtube, o Thulean Perspective, foi banido da plataforma por divulgar conteúdo neonazista .

Insígnia do Rusich/Viking Batalion – Kolovrat

A equipe de Lusvarghi era subordinada ao Rusich/Viking Battalion, conhecida divisão neonazista do exército separatista. O simbolo do Viking Battalion é o Kolovrat, um suposto símbolo eslavo antigo que é conhecido como a “suástica eslava”.

Lusvarghi nunca escondeu suas verdadeiras convicções. Certa vez, disse no Facebook ser “nazista desde criança” e que “todos em sua família sempre souberam”.

“E daí que meus ideais socialistas vem na maior parte dos ideasi (sic) do Fuher, e só depois de Stalin?”

André Ortega, repórter da Revista Ópera, que entrevistou Lusvarghi em 2014 para o site Novorossinform afirmou que Rafael teria passado por um processo de formação ideológica antes de ir para a Ucrânia, quando ele teve contato com a Quarta Teoria Política de Aleksandr Dugin. Ao ser perguntado qual seria sua ideologia, a resposta de Lusvarghi foi bem direta:

“Eu adoro a ideia de “Quarta Teoria Política”, de Alexander Dugin. O socialismo, o marxismo, o comunismo acabaram [RP: Dugin clássico, especialmente para tentar se desvencilhar do comunismo apesar dos elementos de esquerda]. O mundo mudou. O capitalismo também não é o mesmo. O que eu li no “Quarta Teoria Política” eu gostei”.

Na já citada entrevista à Gazeta Russa, Lusvarghi diz ter tido contato direto com Aleksandr Dugin e que o cientista político teria tido um papel importante para que ele estabelecesse contatos políticos que o levaram a se alistar nas forças separatistas.

Dedicatórias escritas por Lusvarghi em bombas. “São dedicatórias a pessoas por quem tenho grande consideração no Brasil e que me apoiam no que faço aqui.”

Para Ortega, as denúncias levantadas a respeito do fascismo de Rafael Lusvarghi não passam de fofoca:

“Algumas pessoas, movidas por motivos nebulosos e agindo como provocadores, possivelmente interessadas em sujar a luta da Nova Rússia sujando a imagem de Lusvarghi, rastejando na internet atrás de algum material “comprometedor” (como certas provocações que ele fez para irritar os trotskistas que tentavam cooptar e com os quais ele teve certos conflitos que não vem ao caso explanar – entre eles inclua o proselitismo de alguns que foram “explicar” pra ele “não gostar dos rebeldes russos”, fora problemas mais sérios relativos a questões judiciais) e se aproveitando episódios que exibiram alguma fragilidade ideológica ou algum momento que ele incorreu no senso comum (claro, não podia me esquecer, Lusvarghi é entusiasta e colecionador de militaria, logo é “neonazista”), demonstrando “incorreção política” ou coisa do tipo. É uma forma de intolerância intelectual, “revolucionários” que não conseguem conciliar a prática de Lusvarghi.”

O próprio Lusvarghi parece nunca ter se importado muito com tais denúncias. Em entrevista ao Blog Bhelvete em fevereiro de 2015, quando perguntado sobre seus ideais, deu a seguinte resposta:

“Não carrego caixão de ninguém. Stalinismo, Nacional-Socialismo, Nacional-Bolchevismo… Tenho minhas próprias convicções, não sou formador de opinião, não adianta tentar me rotular pra só depois me entender, isso será em vão. E como um bom lobo, não me preocupo com a opinião de ovelhas. aliás, a única opinião que me importa é da minha Mãe e do meu Pai, e mesmo assim no fim faço as coisas à minha maneira sem me importar com o que pensam,sem se importar com as consequências. A única bandeira, em questão de idéias, que levanto e defendo a unhas e dentes, é da minha fé odinista/asatruar – que pra ser bem sincero também não gosto de dar nome. Nossos ancestrais não tinham nome pra ela. Eles seguiam os Deuses e pronto. Esse lance de rótulo é coisa de cristão e outros abrahamicos. Mas só pra causar, tem sim muita coisa de Hitler que eu curto, como tem de Stalin, como tem de Marx, como tem do Bolsonaro. Não quer dizer que concordo com tudo. Ainda em politica, tem 3 grupos que simpatizo hoje e no qual milito, são os Duguinistas, Evolianos e Eurasianos.”

Viking Battalion e Team Vikernes

Retorno ao Brasil e prisão em Kiev

Em outubro de 2016, Lusvarghi foi preso ao desembarcar no aeroporto de Boryspil, em Kiev. Segundo informações da Revista Ópera  , Rafael, que retornou ao Brasil no final de 2015, estava trabalhando em um barco de pesca na costa brasileira e enviou seu currículo para varios lugares do mundo. O título do currículo era “Legionário busca emprego”. De acordo com o artigo, a empresa “Omega” teria entrado em contato com Lusvarghi em agosto de 2016 para lhe oferecer um emprego como segurança de um navio que partiria de Odessa, na Ucrânia, para Galle, no Sri-Lanka. Lusvarghi teria demonstrado sua preocupação com o fato de ter pertencido ao exército da República de Donetsk, perguntando à empresa se não seria possível embarcar em um porto fora da jurisdição ucraniana. A empresa teria lhe garantido haver entrado em contato com a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) – organização que supervisionava o conflito e havia participado dos Acordos de Minsk – e que não havia riscos em fazer a viagem

A Omega, ainda segundo a Revista Opera, seria uma empresa que desenvolve ““soluções para apoiar e aprimorar a aplicação da lei, a defesa nacional, e o contraterrorismo” e entre seus principais clientes está o Diretório Máximo de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia – informação que teria sido omitida pela empresa ao contatar Lusvarghi, segundo a revista.

Na Ucrânia, Lusvarghi foi condenado a 13 de anos de prisão sob acusação de terrorismo e recrutamento de mercenários. Após ficar 14 meses na cadeia, foi liberado de forma inesperada em dezembro de 2017 após um segundo tribunal derrubar sua condenação ao invalidar o primeiro processo por erros técnicos. A recomendação era para que Rafael permanecesse preso até um novo julgamento. Sem permissão para sair do país, Lusvarghi procurou abrigo em um monastério ortodoxo nos arredores de Kiev.

No dia 5 de maio de 2018, o site da Radio Free Europe publicou uma matéria com Lusvarghi, dizendo onde ele se encontrava. no dia seguinte Serhii Filimonov, membro do Batalhão Azov – conhecida milícia neonazista ucraniana – transmitiu ao vivo pelo facebook a captura de Lusvarghi, em ação coordenada do Batalhão Azov e C14. Rafael foi detido e levado a força sede do SBU – serviço de inteligência ucraniano. As imagens de sua captura foram bastante divulgadas pela imprensa nacional e internacional. 

Nas duas ocasiões em que foi preso na Ucrânia, a Nova Resistência e outras páginas ligadas à rede eurasianista brasileira fez campanha por sua liberdade, pedindo para que o serviço diplomático brasileiro se mobilizasse para sua soltura e acusando o governo brasileiro de não ter interesse no caso de Lusvarghi.

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