ESPERTIRINA MARTINS

El Coyote

 

MULHERÃO DA PORRA

Inicia-se mais uma série no El Coyote, a série Mulherão da Porra. A ideia é resgatarmos a vida de importantes mulheres na história revolucionária do mundo. Para começar a série, vamos apresentar Espertirina Martins, uma jovem lutadora brasileira.

A jovem Espertirina entrou para a história das revoluções na tenra idade de 15 anos, dentro do contexto das Greves Gerais do início do século XX no Brasil. Por volta de 1917 um grande número de guerras, piquetes, barricadas, motins, ocupações emergiram pelo Brasil, com grande força no Sul do País.

Em Porto Alegre, cidade da menina Martins, a Brigada Militar (é assim que eles chamam a polícia por lá) matou um operário dentro do contexto das reivindicações laborais. Os trabalhadores resolveram usar de seu enterro para protestar por suas causas trabalhistas, mas também contra a violência policial e demonstrar repúdio pelo assassinato de seu companheiro.

De forma poética e radical a jovem Espertirina, junto à massa em procissão carregava um buquê de flores. Com a aproximação dos brigadianos, ela lançou seu buquê contra a cavalaria que veio para reprimir o protesto-luto, que na verdade eram bombas, que explodiram vingado a morte de seu companheiro de luta. Este enfrentamento ficou conhecido como batalha da Várzes.

Meses depois, em julho eclodiu a grande greve no Rio Grande do Sul que ficou conhecida como a Guerra dos Braços Cruzados, na qual Espertirina e sua família participaram ativamente. A greve exigia: medidas para diminuição dos preços dos alimentos e artigos de primeira necessidade, da água, aluguel e bondes; aumento dos salários, jornada de 8 horas de trabalho e de 6 horas para mulheres, e proibição do trabalho infantil.

Espertirina nasceu em 1902, na cidade de Lajedo, filha de anarquistas, razão pela qual desde a infância acompanhou as atividades políticas revolucionárias. Espertirina teve seis irmãos. Dentre as atividades políticas que se engajou, ela produzia e distribuía material político escrito e impresso, além de ampla participação em manifestações, comícios, reuniões, assembleias e protestos. Ela morreu, de causas naturais, aos 40 anos.

 

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C. Melo

Eu queria ser M.S.