Está na hora da esquerda abandonar o liberalismo – de uma vez por todas

Tradução do texto de Dan Arel – Maio de 2016

Enquanto o Partido Democrata, agora com duas cabeças de proa, Bernie Sanders e Hillary Clinton, começa a rachar com a batalha sobre qual direção o partido deve mover o investimento, estamos começando a ver dois campos muito diferentes usarem a mesma palavra: liberal.

Hillary Clinton

Isto coloca um problema quanto ao que é um liberal, e isso é abordado por Danny Katch em seu livro Socialism … Seriously, em que ele aponta que, “milhões de pessoas se classificam como liberais por padrão, que vão daqueles que marcham contra bancos e bombas até aqueles que resgatam os primeiros e arremessam os últimos. Essa não é uma categoria muito útil.” Ele aponta que na política de hoje, um liberal é basicamente qualquer um que não é republicano.

À medida que o significado do partido começa a se alargar, o termo liberal não vai mais para os esquerdistas que se alinham ao lado de Sanders, ou mesmo além. Para os socialistas, isso significou abandonar completamente o termo. Uma razão é, como Katch argumenta, é que O liberalismo pode concordar com o socialismo que algumas coisas sobre o capitalismo devem ser reformadas e socialistas muitas vezes trabalham ao lado de liberais para vencer essas mudanças. Onde diferem-se é que o liberalismo vê as reformas como formas de preservar o capitalismo, enquanto o socialismo as vê como passos para substituí-lo”.
Embora nem todos assumam o socialismo à medida que abandonarem a ideologia liberal de salvar o capitalismo, ele parece ser a alternativa mais viável neste momento. Liberais em geral, como Katch destaca, não fizeram nada além de zombar da plataforma do socialismo, mas por muitos anos não conseguiram oferecer soluções. Vemos isso hoje em como Hillary Clinton assume a presumível posição  no Partido Democrata como a única alternativa a um aparentemente xenófobo e racista Donald Trump. Clinton fez campanha pautada exclusivamente em oferecer mais do mesmo dos últimos oito anos do presidente Obama, fazendo pouco a nada para oferecer novas idéias ou soluções.
Ao mesmo tempo, Sanders apresentou idéias muito mais radicais e, embora dentro dos limites do sistema capitalista, ele está quebrando o padrão e apresentando idéias que abalam o status quo. Este é um movimento que muitos acreditam ter custado a ele a nomeação, ele não estava disposto a participar da estratégia democrata de vencer na aba do presidente Obama, mas ainda que ele consiga a nomeação em julho, deve cair na real e apoiar Clinton, tornando-se uma outra engrenagem a girar lentamente as rodas do Partido Democrata.

Jill Stein, uma autoproclamada liberal  do Partido Verde, está apresentando idéias que parecem perturbar a máquina capitalista, mas não falam em favor de uma alternativa real como o socialismo. Sua campanha faz um grande trabalho de destacar que o capitalismo não vai resolver os nossos problemas, mas por algum motivo deixa de assumir a plataforma que, para ganhar a batalha pela energia verde ou para ganhar a luta pela igualdade salarial e salário mínimo mais elevado e outras idéias radicais que ela propõe, devemos primeiro abandonar e substituir o capitalismo.

Enquanto sua linguagem é cautelosa, seria mais sensato parar de se referir a ela, e aqueles como ela, como aqueles que não estão interessados em colocar Band-Aids no capitalismo, como fazem liberais, ou adotando um apelido de esquerda, se a carapuça servir, socialista. O liberalismo tem sido um dos grandes fracassos do século passado, não conseguiu resolver as maiores questões do mundo e até mesmo questões dentro dos Estados Unidos. O liberalismo teve de confiar na Suprema Corte para promulgar direitos de união entre pessoas do mesmo sexo, o liberalismo falhou em fornecer cuidados de saúde a cada americano, e não conseguiu proteger as minorias raciais do racismo desenfreado e da discriminação.

Bernie Sanders
A idéia liberal de que o progresso deve ser feito em etapas incrementais deixou muitos corpos em sua caminhada sempre tão lenta. É hora de levar os ideais revolucionários da esquerda para as massas e não esperar que uma pequena minoria de conservadores e democratas centristas os alcancem.

Enquanto os partidos Democrata e Republicano se dividem e se queimam no rescaldo das primárias de 2016, é hora de os grupos de ação política se levantarem das cinzas, lançarem novas idéias e parar de uma vez por todas o jogo de dois partidos que tem nos mantidos prisioneiros por tanto tempo.

Enquanto Clinton e seus partidários estão corretos em dizer que ela é uma escolha melhor que Trump, um voto para Clinton não oferece nenhum progresso e nos deixa com quatro a oito anos de estagnação. Para aqueles que vivem na pobreza, os que estão presos em prisões para fins lucrativos paor crimes de drogas não-violentos, para aqueles que estão doentes e ainda não podem se dar ao luxo de ver um médico, a estagnação é demais para suportar.

É hora da esquerda falar e abandonar o liberalismo e se levantar ao desafio de apresentar novas idéias. Uma verdadeira oportunidade de mudança se apresentou e o futuro do progresso depende de como avançar.

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