Êta mundo bom? – uma reflexão.

Partindo dos problemas relativos a ideologia e história, mostraremos as transformações no modo de pensar da intelectualidade burguesa pré e pós-revolução. Ambos os trabalhos analisados sendo escritos com o intuito de propaganda de massas permitem a comparação sem muitos “poréns” que poderiam acarretar da análise de um texto metódico com sua interpretação artística.

 

1.Características gerais das duas obras

Falarei uma coisa que é óbvia e das obviedades extrairei algumas reflexões: Êta mundo bom!1 é uma adaptação televisiva da obra “Cândido, ou o otimismo” do filósofo francês Voltaire. Mas, para o telespectador não iniciado, ou que nunca teve a possibilidade de ler a opus magnum de Voltaire, terá a impressão deste autor ser um otimista ingênuo, quando, na verdade é avesso a esta concepção.

Êta mundo bom! é a história de Candinho, que, tal como seu “ancestral”, é de uma doçura esplêndida, tal que “sua fisionomia anuncia sua alma. Tendo o julgamento dos mais corretos e com a alma das mais simples: por este motivo, creio, ter sido ele nomeado Candido”. No Brasil, identificaram-no ao caipira, cujo constructo histórico da década de vinte, trinta e quarenta, época onde se passa parte da adaptação, é a do Jeca Tatu.

A identificação se dá pela proximidade do Jeca Tatu, vamos forçar a barra um pouco aqui, com o bom selvagem. Aquele sujeito desprovido de civilidade, ligado a sua natureza simples, honesta, além da ligação com a Natureza mesmo do mundo. A calmaria, honestidade, beleza e otimismo de um homem não corrompido pela urbanicidade.

Justificando e dando sentido a todo mundo e as terras que ali viviam apresenta-se o “filósofo” Pangloss (na novela é Pancrácio). Este ensinava seu pensamento “metafísico-telógico-cosmológico” que consistia em entender que, afinal, tudo acontecia por algum motivo, pois “todo efeito tem uma causa” e que no “melhor dos mundos possíveis” o lugar onde viviam na novela “A fazenda Dom Pedro II, na cidade de Piracema” e no livro “o Castelo do barão Thunder-ten-tronckh, em Westpahlia” era o melhor dos mundos possíveis. Filosofia esta, resumida, na seguinte passagem:

Demonstrei, dizia ele, que as coisas não poderiam ser outras: pois tudo existe para um fim, tudo é necessariamente para o melhor dos fins. Percebam como o nariz é feito para segurar os óculos: assim, nós temos, o óculos. As pernas sãos feitas, visivelmente, para serem cobertas, e nós temos as calças. As pedras tendo sidos formadas para serem talhadas e para fazerem castelos, assim, nosso grande senhor, tem um lindo castelo, diga-se, o mais lindo dos castelos. […] Por consequência, aqueles que entenderam que tudo é bom dizem o provérbio: digamos que tudo que acontece é para melhorar.”

O problema é que, tanto um quanto outro, sendo filhos bastardos das classes dominantes de suas respectivas épocas (Cândido é filho bastardo da nobreza e Candinho é filho bastardo da burguesia industrial), são tratados como inferiores e expulsos do “melhor lugar do mundo”. Isto, é claro, justificado pelo romance deles com as “filhas das classes dominantes”, um absurdo para a moralidade econômica do mundo civilizado das classes dominantes. O que aconteceu foi que, tanto Cândido quanto Candinho, se enamoram pelas filhas dos proprietários, meninas igualmente puras, lindas e maravilhosas.

Expulsos do paraíso, jogados para fora do melhor lugar do mundo, eles começam uma série ininterrupta de desventuras e, aqui, o hiato, o abismo, começa a ser construído entre um e outro.

Candinho saí de uma cidade no interior e cai em São Paulo. Em que tudo vai muito bem, com exceção de algumas pessoas más (Sandra e seu amante o malandro) que descobriram que ele é o herdeiro de uma senhora muito rica. Senhora esta que procura seu filho a todo custo. Um medalhão que Candinho carrega é a prova material deste vínculo e pessoas más fazem de tudo para roubar-lhe o objeto. Muitos amigos e pessoas muito boas o cercam, até mesmo o filósofo Pancrácio reaparece mendigando, contudo, vai muito bem, apesar da pobreza, se ajeitam numa casinha do filósofo e ficam lá tocando suas vidas.

Êta mundo bom

A trama toda acontece pelas várias tentativas de golpes das pessoas más contra Candinho – ele trabalha depipoqueiro e é muito feliz. A história da rapidamente três reviravoltas: roubam-lhe o medalhão e colocam um impostor como herdeiro, a farsa é descoberta e Candinho toma seu lugar de direito e, por fim, roubam todo o dinheiro da mãe de Candinho. Tudo se resolve, a honestidade supera a malevolência e o dinheiro e a fábrica são recuperados pela mãe de Candinho. Porém, mesmo aquela pobreza, era uma pobreza alegre e feliz, sem muitos problemas na casa de Pancrácio. O filósofo se aproxima da mãe de Candinho e com ela se casa, Candinho se casa com sua grande amada, os maus são punidos e acaba no “felizes para sempre”, pois “tudo que acontece de ruim é para meiorá”. A maldade é tida aqui como a minúscula “vaidade, a pequena luxúria, a pequena mentira e a malandragem trapalhões”. Ela, Sandra, é completamente punida com a morte do amante, dado destino escolhido pelos próprios vilões, e pela prisão dela mesmo, punição feita por um Estado justo e reparador. A honestidade, a benevolência e a confinação confirmam a tese metafísico-teológico-cosmológico de Pancrácio/Pangloss: estamos no melhor dos mundos possíveis.

Já Cândido, de Voltaire, tem uma trajetória enorme pelo mundo, aventurando-se, ou melhor, desaventurando-se por três continentes: Europa, África e América do Sul. Cândido, lançado para fora do “paraíso”, não para uma alegre vida simples de pipoqueiro em que ora ou outra é atentado por “pessoas más”, cai nas garras de um mundo verdadeiramente cruel que pune a todos, principalmente os otimistas. Provavelmente Pondé teria orgasmos múltiplos com esta última afirmação.

Voltemos do ponto onde as semelhanças são ainda superiores as diferenças. Expulso literalmente a ponta-pés na bunda, ele, acaba por ser preso e obrigado a compor o exército do rei Bulgáro: a violência a qual foi submetido era enorme. Tendo que receber milhares de chibatadas por suas andanças e suas conversas metafísicas sobre “o que acontece é sempre para o melhor”. Além da opressão violenta que sofre dos oficiais é lançado numa das piores coisas que o homem produz: a guerra.

O rei da Bulgária entre em guerra contra os Abades. Lá, a violência, a morte de mulheres enforcadas, a beleza das “melhores armas dos melhores exércitos” tingem o horizonte com o vermelho da carnificina. Cândido foge do cenário com pressa, chegando miseravelmente na Holanda, católica, onde começa a mendigar alguma coisa para comer. Lá, os cristãos, sempre muito preocupados com seus irmãos, lhe perguntam sobre o que Cândido acha do Papa, mas não lhe dão um pão duro sequer. Um anabatista, Jacques, é que socorre o jovem, que estava quase sendo enviado novamente para a prisão. Cândido começa a trabalhar na manufatura deste senhor. Um mendigo completamente arrebentado e grotesco é encontrado por Cândido. Este se surpreende ao descobrir que, na verdade, é seu antigo professor Pangloss. Este novo trio parte para Lisboa onde são presos pela Inquisição e, devido “necessidade de dar” uma oferenda contra os terremotos que acabaram com a cidade, Cândido e Pangloss foram escolhidos para serem queimados vivos. A religião e seu obscurantismo são também “a beleza” retratada nesta parte do relato do “melhor dos mundos possíveis”. Cândido foge encontra Cunegundes, sua amada, e fica sabendo de toda terrível história pela qual ela passou. Vão para as Américas. Enfim, aqui podemos ter uma certa noção do tom que a história passa, aos que não leram, que leiam.

Noite estrelada de Van Gogh
O melhor dos mundos: natureza das mais belas

No final do livro alguns dos principais personagens vivem numa pequena propriedade plantando e trabalhando arduamente. Há uma revelação: conversando com um turco, Cândido ouve deste, que “em sua pequena propriedade o trabalho duro livrava ele e seus filhos de três grandes maus “o tédio, o vício e a necessidade”. Literalmente na última frase Pangloss tenta mostrar que ainda sua filosofia faz sentido, dado que se não fosse toda a desgraça precedida, toda violência, miséria, guerra e perseguição que sofreram, eles não estariam comendo frutas caramelizadas naquele lugar. Cândido responde “muito bem”, ou seja, interessante, mas “preciso cultivar meu jardim”. Do pequeno mundo, ao grande mundo e de volta ao pequeno mundo, eis o trajeto de Cândido, só que, desta vez, é a ideologia desenvolvida por Cândido que guia este “novo mundo”, Pangloss está ultrapassado.

As histórias são estruturalmente similares: as desventuras de um filho bastardo, pessoa inocente, justa e pura sobre o mundo É a história de como este jovem “problemático”, isto é, com uma pulsão interior que “contradiz com o mundo” conhece o mundo em suas várias faces gostos e desgostos. Aprendendo sobre as pessoas. A filosofia do otimismo é o primeiro momento da apreensão do mundo enquanto o “melhor dos mundos possíveis e tudo que acontece é para o melhor”. Os Cândidos experimentam o amor, conhecem o sexo feminino. Podemos, portanto, afirmar que é a história de um jovem que sai de seu pequeníssimo mundo encantado, isto é, o reino da Westiphalia, para figurativa e literalmente conhecer o Mundo: outros povos, outras terras, a violência, o obscurantismo, a solidariedade, a hipocrisia e toda sorte de injustiças que pudermos imaginar. Pangloss é a filosofia do início, o anti-Pangloss a filosofia do meio e Cândido a filosofia do trabalho e do fim.

O mesmo não ocorre com Candinho que permanece “inho”2, ou seja, pequenininho. Não conhece o mundo, mas só São Paulo e Piracema, não conhece o “Mundo”, isto é, a realidade concreta de seu povo e da humanidade, a história e historicidade das coisas e a realidade aparente dos ensinamentos de seu mestre Pancrácio. Afinal, o problema é que “algumas pessoas são más”, mas “meu medalhão me levará para o destino que Deus me reservou”. Pancrácio está certo começo, Pancrácio está certo no meio e Pancrácio está certo no fim. A solução é pré-burguesa, não é o trabalho duro, num mundo sem Deus e sem esse otimismo transcendental, que muda as coisas, mas “a herança garantida por um destino de sangue e divino” (a herança e o casamento são os meios feudais por excelência da perpetuação e domínio das classes dominantes, além da guerra é claro). No fim, Candinho não cresce e Pancrácio literalmente se dá bem: teórica e praticamente. O intelectual se casa com a burguesa, e a burguesia estará justificada para sempre – Amém.

O pé na bunda de Cândido foi o primeiro passo para um duro amadurecimento, cujo final seria o fim de sua minoridade3, ou seja, o fim de seu pensar tutelado por um mestre. Para Candinho tudo ia bem, nada essencialmente mudará: “-Eta mundo bão!”.

2. Relações de determinação históricas – filosofia para uma era decadente.

Voltaire é uma das encarnações da burguesia revolucionária do século XVIII. O seu livro é uma sátira-filosófica ao pensamento de Leibniz4, um filósofo do “otimismo”. Não era Voltaire que defendia as idéias que saiam pela boca de Pangloss, mas as de Leibniz. Então, o que observamos no livro de Voltaire é o soterramento das teses daquele filósofo sobre o peso da realidade. A nobreza estava em declínio, menos de meio século após a publicação do livro a burguesia tomava o poder. Cândido é a honestidade encarnada que leva a filosofia que fazia a “apologia do mundo” até “as últimas consequências”, para provar a falsidade de suas teses! O mundo não ia nada bem, tudo era na verdade desesperador: é preciso cultivar o jardim – é preciso trabalhar.

A nobreza fora destronada a classe dominante agora seria a burguesia, Deus está “mais ou menos morto” e o capitalismo universalizou-se junto com todos os ideais burgueses. Cabe uma pergunta: O que a intelectualidade burguesa acha do mundo feito à sua imagem e semelhança? Ora, já diria Pondé, “desconfio daqueles sujeitos que falam de “um mundo melhor” e “ daqueles sujeitos que falam das criancinhas na África”. O problema, fazendo um parênteses, é que se o Pondé falar tudo de podre que “pode ser falado” ele mesmo seria um desses profetas do caos do qual desconfia, de modo que, teria que falar das guerras mercenárias dos Estados Unidos, do massacre aos Palestino feito pelo estado que ele tanto ama, as mil guerras civis que ocorrem na África e Ásia. Enfim, ele ainda desconfiaria de quem fala: é preciso cultivar algo, ou seja, as coisas vão mal precisamos construir algo melhor. Por que este é o mundo que ele defende. “Ora ‘Seu Comuna’ ou ‘Seu anarca’, vocês são uns totalitários, este é o melhor dos mundos”, receberíamos como a fina resposta deste apologeta do “fim do mundo”.

Candinho não precisa crescer muito, só precisa saber do dinheiro, das mulheres e das mamães e que tudo sempre melhora. Candinho é a “visão pequena” de um pensar miserável. Este novo Candinho representa aquele pensamento burguês revolucionário? Aquele “good and old” iluminismo? Mas o que é o Iluminismo?

Kant5 responde esta pergunta de maneira magistral: é poder, num sentido de ao mesmo tempo ser livre para fazê-lo e ter a capacidade de fazê-lo, refletir a respeito de tudo sem precisar mais de um tutor ou mestre, respeitado os limites da obediência e observância das leis e das autoridades. Sobretudo sobre esta última parte irá atiçar a irá dos mais espertalhões: “mas é dentro das autoridades!”. Tudo bem, tudo bem, entendemos o problema. Mas isto é incrivelmente revolucionário no plano da história do pensamento, afinal,  “poder refletir sobre tudo” é algo extremamente importante. O momento da necessidade de um tutor é o momento em que o pensamento ainda é pequeno e não livre, chamado, então de “minoridade”. O momento de superação desta condição é o momento da “maioridade”, quando se atinge o alto grau de refinamento intelectual. Esta é a proposta do Iluminismo de Kant, ou seja, é o Iluminismo pensado num de seus momentos mais revolucionários (e não estamos falando nem dos jacobinos).

Candinho é o modelo de racionalidade para os tempos de hoje, afinal, a burguesia abandonou seu projeto de universalidade, a burguesia abandonou o Iluminismo. Suas deturpações tomaram seu lugar: o positivismo, o pragmatismo e, agora, o pós-modernismo. Não dá mais para falar do mundo, só de “uma partezinha” e de “um jeitinho”, ou seja, o mundo já acabou para a burguesia, só há retalhos dele. “O mundo já acabou” para a burguesia dái que surgem várias anedotas de fim do mundo e semelhantes, pensem em quantas vezes esperamos o mundo acabar nessas últimas décadas.

Esse “Candinho” precisa ser posto aprova e viver a sociedade em que vive, de modo que o problema não é que “há pessoas boas e más”, tal como hoje no Brasil se fala dos “corruptos”. O mundo é um palco do horror, os cordeirinhos e os lobos garante sua cota de sangue – a morte e a dor é na maioria das vezes gratuita, ou devido ao lucro da indústria da arma, do petróleo ou qualquer outra. Cabe ao Candinho perguntar quando por fim se deparar com sua teses originária:

“-Então, que mundo é esse?”

Perceberá a partir de então que este é o mundo dos capitalistas e dos burgueses e que eles forjaram uma “Santa Aliança do Caos” entre seus iguais de todos os países. Perceberá que este mundo da vida aos objetos, por exemplo o “dinheiro que tudo pode” e objetiva os seres, que são transformados em coisas, números e planilhas, como os trabalhadores nas fábricas, os homens e mulheres nos presídios e escolas, ou como nos campos de concentração nazistas. Que a base de tudo é a propriedade privada dos meios de produção e que a relação essencial que move o mundo é: o Capital.

 Candinho, gritará indignado:

Os comedores de batata, Van Gogh
Redenção dos trabalhadores

“-Mundo dos burgueses e das máquinas, você não é eterno! Você é histórico! Não vivemos no melhor dos mundos possíveis, vivemos no mundo dos mais históricos possíveis!”

Ao chegar neste ponto Candinho terá chego no primeiro passo para sua maioridade, perceberá a essência histórica das coisas e das sociedades humanas. Perceberá, inclusive, que o próprio homem é história e que a história é feita pelos homens. Tanto do acúmulo que foi feito até agora, quanto do que está sendo feito deste acúmulo e das várias possibilidades que estão por vir dele. Conseguirá ter acesso ao passado e poderá ler seu ancestral, inclusive rindo e chorando de suas desventuras. Perceberá o poder dentro da conclusão última: “o cultivo”, ou seja, “o trabalho”. Mas, no entanto, questionará que ali já se encontra o mundo que viria a ser e que agora é, o mundo do “individualismo econômico e social”.

“-Oh, caro Voltaire, diria Candinho, obrigado por tamanha herança para humanidade, mas, você não teve tempo de ler Goethe, infelizmente, por isto cito para você: “Tudo que existe merece perecer!”6. As idéias existem para seu tempo, mas já nascem predestinadas a acabarem e assim que realizadas devem ser podadas, para dar lugar ao novo. O tempo da burguesia já deu, ela já está podre por dentro e por fora, agora é a hora das classes trabalhadoras.

Conclusão

É necessário que o proletariado tome para si a tarefa iniciada pela burguesia, a tarefa de iluminar o mundo com a razão, devido ao fato que, a burguesia cada vez mais se lança nas garras de todo tipo de obscurantismo. Por incrível que pareça até se dizer Iluminista hoje é também revolucionário. Mas, o que é de primeira ordem é que é preciso tirar todos nossos Candinhos da minoridade e mostrar-lhes que o mundo é histórico e que só o melhor dos mundos para alguns.

Referências:

Voltaire – Cândido, ou o Otimismo.

Kant – Resposta a Pergunta: O que é o Iluminismo.

Gramsci – Risorgimento Italiano.

Sérgio Buarque de Holanda – Raízes do Brasil.

*As imagens são obras de Van Gogh.

Notas


1
Que por sua vez é uma adaptação do filme Candinho (1954), este possuindo algumas das figuras mais marcantes da cultura brasileira, tal como: Adoniran Barbosa como Pancrácio e Mazzaropi como Candinho (confirmando o elenco do Jeca Tatu). Neste filme, que pode ser passível de algumas diferenciações históricas, de roteiro e estéticas com a novela, traz a citação explícita de Voltaire logo nos letreiros iniciais: “Tudo que acontece é o melhor nesse melhor dos mundos”. Filme disponível, em: https://www.youtube.com/watch?v=Zz9jMUde2GM

2 No livro “Raízes do Brasil” Sérgio Buarque de Holanda (2015) toma nota sobre o problema dos diminutivos na cultura ibérica de modo geral. Dado o caráter informal e personalista da cultura isto tendo a quebra da ritualidade e da formalidade nos tratos gerais da população. O “homem cordial”, conceito feito por Buarque a partir da análise da sociedade brasileira, é uma oposição ao sujeito racional burguês capitalista anglo-saxão, isto é, pautado na racionalidade do trato com a lei e com a sociedade, disto decorre-se um tipo de sociabilidade problemática, em que relações de amizades, proximidade impedem o florescimento de relações capitalistas maduras, e favorecem o aparecimento de relações de favores e pré-capitalistas. Então, o Candinho, é está mescla de um sujeito que dá um jeitinho de se ajeitar de se acomodar, não é a racionalidade que vai minar de vez as bases pré-capitalistas de dominação, mas que vai se ajeitar a elas.

3 Aqui estão implícitos dois conceitos “romance de formação” e “minoridade e maioridade”, os quais nos debruçaremos pormenorizadamente na próxima seção.

4 Leibniz (1646-1716), foi um filósofo, cientista, matemático e bibliotecário alemão. Alguns afirmam que a acusação de Voltaire contra Leibniz é, no mínimo, forçada.

5 Resposta a pergunta: O que é o Iluminismo?” Immanuel Kant. Editora Abril, São Paulo, 1985.

6Fala de Mefistófeles, o diabo, no livro Fausto de Goethe.

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Mazzoni

Um proletário e estudante do interior do Estado de São Paulo. Mestrando em Ciências Sociais pela Unesp de Marília. Interessado em áreas como: história do movimento operário, lutas das classes subalternas, teoria política do socialismo, o problema da ideologia, sociedade civil e hegemonia. Tomado pela clareza do tamanho da própria ignorância, pois sabe, que, ainda há muito a ser questionado e principalmente a ser aprendido.