Justiça Argentina decide extraditar Jones Huala para o Chile

A justiça federal de Bariloche, na Argentina, decidiu nesta segunda-feira (05) pela extradição do líder mapuche Facundo Jones Huala para o Chile para que seja  julgado pelo incêndio de um latifúndio e pelo  transporte de armas caseiras na cidade de Pisu Pisue em 2003. De ambas as acusações o indígena  já se declarou inocente.

O primeiro julgamento pela extradição contra Jones Huala foi realizado em agosto de 2016 e foi declarado nulo pelo juiz federal de Esquel Guido Otranto.  No entanto, após outra prisão, ele foi submetido a um novo processo judicial.

Sob protestos o veredito foi lido pelo juiz Gustavo Villanueva através de uma videoconferência com o acusado da Unidade Penal 14 de Esquel (onde Jones Huala se encontra preso desde o dia 27 de Junho de 2017).

Quando teve a oportunidade de se pronunciar perante o magistrado, Huala denunciou que o julgamento contra ele fazia parte de uma perseguição realizada pelo governo do presidente argentino Maurício Macri. “Este não é um julgamento de extradição, mas um procedimento político. Sou um prisioneiro político, tanto para a Argentina quanto para o Chile ” disse.

Ao saber da decisão do juiz, apoiantes de Facundo Jones Huala que estavam acampados desde o dia 28 de fevereiro  entraram em confronto com a policia. Os policiais usaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Pelo menos nove pessoas foram presas.

 

Em 1991  o grupo Benetton comprou na Patagônia  900.000 hectares de terra, expulsando os indígenas Mapuche que já estavam instalados na região para criar aproximadamente 100.000 ovelhas.

Conforme já tratamos em artigo anteriormente escrito aqui no El Coyote,  os conflitos entre os Mapuche e a Benetton recentemente alcançaram contornos dramáticos, o que tem mobilizado inúmeros protestos na Argentina e no mundo todo. De acordo com moradores, a Benetton tem inserido pessoas armadas no local e militarizado a região com o apoio do governo de Mauricio Macri.

Para além dos mortos registrados desde o inicio da da ocupação das terras Mapuche pela Benetton em 91, uma série de novas operações das forças policiais de Macri tem se destacado pelas denuncias de violência (inclusive contra mulheres e crianças), pelo uso de balas de chumbo e pelas mortes dos jovens Santiago Maldonado e de Rafael Nahuel.

Em 2015  um território que havia sido tomado pela Benetton,  foi recuperado por um pequeno grupo organizado de Mapuches em Chubut (província da Patagônia),  este grupo criou nesta região algumas aldeias.

Um nome de destaque na liderança dos movimentos de recuperação de terra dos Mapuche é El Lonco (como chamam os chefes mapuche) Facundo Jones Huala, líder de um conjunto de aldeias mapuche chamadas  por lá de Pu Lof en resistencia de Cushamen  (pluralidade de comunidades mapuche) que se tornou símbolo da resistência de seus povo ao, de dentro da prisão, se pronunciar contra as marcas que combate, contra o capitalismo desmedido e contra a submissão do estado em defesa de interesses particulares de mega-empresários estrangeiros. 

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