O erro crasso de usar a ultra-direita como cálculo eleitoral — Resposta ao “segundo turno ideal” de Breno Altman

“A ponte que construo entre os conceitos abordados até agora é que a técnica (cálculo eleitoral segundo a esquerda oficial), de usar espantalhos para evitar críticas, esconder contradições e reposicionar o centro político, equivale, em efeito, ao de um Think Tank cujo objetivo é mover a opinião pública para a direita. O uso do inimigo ideal só teria sentido em um contexto de mudança radical, onde é prevista sua aniquilação. Na democracia, burguesa assim dizendo, os polos do discurso políticos imitam os polos de um ímã, que não podem ser isolados. O uso de espantalhos como Trump e Bolsonaro para ganhar os votos no “menos pior” movimenta a janela de discurso à extrema-direita e naturaliza suas opiniões, abrindo caminho para uma futura vitória deles.
Na ausência de um processo revolucionário, o uso de espantalhos cava sua própria cova, pois mostra-se enviesado na vitória e fatal na derrota. É essencial construir movimentos sociais cuja atuação fuja de maniqueísmos e personalismos no andar de cima, mas que empurre a base, a janela de discurso, ou seja, a opinião pública, de volta ao campo popular, de forma que, independente das siglas majoritárias nas disputas palacianas, as decisões tomadas por elas reflitam ideais de igualdade e solidariedade construídos na base da sociedade civil. Quando se cria consenso popular sobre uma pauta ou causa, o governo, até por demagogia, vai se submeter. Construir mais os movimentos e menos os candidatos. Até porque o congresso que criou o SUS tinha 16 petistas, o que entregou o pré-sal tinha uns 70.”

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