Uma Investigação sobre alianças entre a Esquerda Autoritária e a Extrema-Direita – Parte 2

Texto Original: https://libcom.org/library/investigation-red-brown-alliances-third-positionism-russia-ukraine-syria-western-left

Parte 1

Francis Parker Yockey

Como o pesquisador anarquista Kevin Coogan detalha em seu livro, Francis Parker Yockey nasceu em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos, onde ele flertou brevemente com o marxismo em sua juventude antes de logo abandoná-lo pelo fascismo. Depois de ler Oswald Spengler e conhecer Carl Schmitt, Yockey ficou sob a influência dos Conservadores Revolucionários, incluindo Haushofer, e foi influenciado por suas idéias sobre elites culturais e geopolíticas, seu apoio a uma aliança entre a Alemanha e a União Soviética e sua defesa de apoio às lutas anticoloniais.

Yockey associaria-se mais tarde com os fascistas durante o período entre-guerras e durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo Charles Coughlin, o Bund germano-americano, a Aliança Nacional Alemã-Americana, os Camisas Prateadas, o Movimento América Primeiro, entre outros. Durante a Segunda Guerra Mundial, Yockey se alistaria no exército americano apesar de se opor à entrada dos EUA na guerra, desaparecendo por dois meses depois que sabotadores pró-nazistas com laços com sua família foram presos pelo FBI (o FBI suspeitava que o próprio Yockey estivesse em espionagem missão para os nazistas no México) antes de retornar e ser liberado com honras após um colapso mental em 1943. Yockey logo solicitou um posto no Office for Strategic Services, mas foi recusado um emprego lá por causa de suas simpatias nazistas.

A derrota do regime nazista não enfraqueceu o compromisso do Yockey com o fascismo e, em vez disso, ele se tornou mais ativo na ação pró-fascista, dedicando-se exclusivamente a reviver o fascismo. No entanto, muitos desses grupos eram anticomunistas e, portanto, recusavam-se a trabalhar com Yockey, como George Lincoln Rockwell, do Partido Nazista Americano, e seus aliados que desprezavam Yockey chamando-o de neo-strasserista, devido à ideia de uma aliança entre Esquerda e Direita, com o trabalho junto a comunistas anti-sionistas sendo central para as idéias de Yockey.

Em 1946, Yockey obteve uma posição no Departamento de Guerra dos EUA como procurador dos Julgamentos de Nuremberg, sem dúvida para ajudar alguns criminosos de guerra nazistas a serem julgados. Na Alemanha, Yockey passaria seu tempo formando laços com fascistas alemães que operavam no subsolo contra os Aliados e agitavam contra a ocupação da Alemanha pelos EUA e contra o que ele percebia serem os “procedimentos tendenciosos” dos julgamentos, fazendo com que ele fosse demitido de sua posição no próximo ano.

Depois disso, ele fugiu para uma pequena aldeia na Irlanda, onde escreveu seu livro Imperium, fortemente influenciado por Spengler, com o objetivo de reviver o fascismo. No Imperium ele rejeita o racismo biológico dos nazistas e opta por um racismo cultural, embora ele ainda defenda os nazistas negando o Holocausto em seu livro (enquanto reconhece privadamente a existência do Holocausto e elogia as atrocidades dos nazistas) que ele dedicou a Hitler, sendo um dos primeiros negadores do Holocausto de todos os tempos, e considerou a ascensão do regime nazista como uma “revolução européia”. Yockey, como Spengler, se opunha ao parlamentarismo e a outros modelos derivados da Revolução Francesa, mas, diferentemente de Spengler, que não enfatizava o antissemitismo, o próprio Yockey era um antissemita declarado, e o cerne da ideologia exposta por seu livro era que a Europa estava sendo corroída pelo liberalismo, que ele considerava uma “conspiração judaica para minar a cultura européia”, ocupada pelos Estados Unidos e pela União Soviética e que, portanto, a Europa precisava evitar o nacionalismo e as nações para se unir um superestado fascista que “rejuvenesceria a cultura européia” e seria capaz de se opor às duas superpotências da Guerra Fria. Essa ideia de superestado foi influenciada pelo conceito de Grossraum de Carl Schmitt.

Pouco depois de escrever Imperium, Yockey viveu em Londres, Reino Unido, onde trabalhou por pouco tempo para a seção européia do movimento sindical fascista de Oswald Mosley, permitindo-lhe formar laços com uma rede fascista subterrânea em toda a Europa, incluindo Alfred Franke- Gricksch, ex-funcionário da SS e líder da organização neonazista Bruderschaft. Após a queda de Yockey com Mosley, ele formou com o apoio da baronesa Alice von Pflugl e da ajuda dos ex-Mosleyites, a Frente de Libertação Européia, cujo objetivo era “libertar” a Europa dos EUA e da URSS.

A percepção de Yockey dos Estados Unidos era em si negativa, pois ele a considerava pouco mais do que uma “colônia bastarda da Europa, que havia se retirado à influência de minorias não-europeias” e “estava sob controle judaico”, e por isso considerou o impacto do capitalismo americano como mais destrutivo do que a repressão soviética para a cultura européia e, portanto, considerado o controle soviético como preferível à dominação americana da Europa. Por isso, exortou os fascistas a não colaborarem com o anticomunismo americano durante a Guerra Fria e, ao contrário da maioria dos fascistas que colaboraram com a inteligência dos EUA durante a Guerra Fria, a Frente de Libertação Européia de Yockey manteve-se neutra e teve uma abordagem pan-europeia de geopolítica, elogiando a política soviética na Alemanha e buscando organizar secretamente neonazistas na Alemanha Ocidental, que então colaboraria com os militares soviéticos contra a ocupação americana. Seu objetivo era, naturalmente, formar o superestado fascista europeu cujos projetos ele expunha no Imperium.

Tendo perdido seus laços políticos no Reino Unido, a Yockey entrou clandestinamente na Alemanha Ocidental, com documentos do exército afirmando que a Yockey estava “promovendo um movimento bolchevique nacional” e contatando ex-oficiais da Wehrmacht e ex-nazistas, entre os quais o Partido do Reich Socialista, strasserista, cujo fundador, o ex-membro da Wehrmacht Otto Ernst Remer, elogiou a Imperium. Remer atacou Konrad Adenauer como um fantoche americano, negou o Holocausto e rejeitou as atrocidades do regime nazista como “propaganda aliada”, e agitou contra a ocupação aliada da Alemanha Ocidental, enquanto nunca criticava a Alemanha Oriental e a União Soviética, dizendo que ele “mostraria o caminho para os russos percorrerem todo o caminho até o Reno” e que deveria haver um conflito entre os EUA e a URSS, com o SRP de Remer recebendo financiamento dos soviéticos no início dos anos 50, algo que o Partido Comunista da Alemanha com o qual o SRP trabalhou temporariamente contra Adenauer não recebeu.

Yockey então viajou pela Europa, distribuindo cópias de seu livro para proeminentes neo-fascistas, incluindo o fascista francês Maurice Bardèche (ele próprio um dos primeiros negadores do Holocausto no pós-guerra como Yockey) e Julius Evola.

Na Europa, o Yockey participou de uma conferência do Movimento Sociale Italiano (MSI), o primeiro partido neofascista europeu fundado por veteranos da República Socialista Italiana de Mussolini, que também tentava formar redes fascistas. A conferência representou pouco, devido aos objetivos dos vários grupos fascistas envolvidos estarem em conflito uns com os outros e com conflitos internos dentro do próprio MSI sobre a adoção de uma estratégia “atlanticista” de alinhamento com a OTAN e o Ocidente ou a estratégia européia de “terceira posição” oposta aos americanos e soviéticos, com o MSI anticomunista eventualmente aliando-se à OTAN e aos EUA, que estavam mais preocupados em se opor ao Partido Comunista Italiano do que punir os fascistas nos primeiros dias da Guerra Fria. A defesa do Yockey de se aliar à União Soviética não encontrou audiências muito receptivas entre esses fascistas, com muitos fascistas pan-europeus, incluindo Julius Evola, que havia elogiado o livro de Yockey, sendo cético em relação a suas idéias.

Voltando aos EUA, Yockey trabalhou com o infame senador anticomunista norte-americano Joseph McCarthy e com H. Keith Thompson, um fascista americano que era o representante americano do Partido do Reich Socialista e trabalhou pela defesa de Otto Ernst Remer. Thompson defendeu Hitler e o regime nazista e permaneceria ligado à Yockey até sua morte. Em 1950, ele faria um discurso em uma conferência do Partido Nacionalista Cristão do general de extrema-direita Gerald L. K. Smith, onde ele chamaria os julgamentos de Nuremberg de uma “farsa” e alegaria a suposta existência de “conspiração judaica global”.

No início da década de 1940, Stalin adotou inicialmente uma política externa pró-sionista (apesar do próprio Lenin ter condenado o sionismo como um movimento burguês reacionário) com a esperança de que Israel fosse um baluarte socialista contra a hegemonia britânica, e apoiou o plano da ONU para a partição da Palestina ( e por extensão endossou a limpeza étnica da Palestina) e a subseqüente criação do Estado colonial israelense. A União Soviética foi o segundo estado a reconhecer Israel depois dos Estados Unidos, embora o bloco soviético logo tenha feito uma política externa e apoiado os movimentos nacionalistas árabes depois que Israel emergiu como aliado do Ocidente. No entanto, longe de ser meramente anti-sionista e em oposição apenas a Israel, a política soviética nos dias posteriores de Stalin tornou-se completamente antissemita e o bloco oriental enfrentou uma onda de expurgos antissemitas nos anos 50 que incluiu a Noite dos Poetas Assassinados e a Conspiração dos Médicos. É neste contexto que Yockey, visitando a Europa novamente, viu-se presente aos julgamentos de 1952 em Praga, durante os quais onze membros judeus do Partido Comunista da Checoslováquia, incluindo seu secretário geral Rudolf Slánský, foram executados sob acusação de serem sionistas, trotskistas, imperialistas ocidentais e Titoístas (Slánský era, pelo contrário, firmemente anti-sionista). Yockey considerou que este era o fim da hegemonia americana na Europa e pensou que “previa uma ruptura russa com os judeus”, que ele considerava “um desenvolvimento favorável na luta pela libertação da Europa”. Para Yockey, a onda de expurgos antissemitas foi uma “declaração de guerra da Rússia à liderança judaico-americana” e ele, portanto, cooperou com a inteligência do bloco soviético e se tornou um mensageiro pago dos serviços secretos tchecos que trabalhavam para a KGB, e começou a advogar por uma aliança tática entre fascistas e a URSS para acabar com a ocupação americana da Europa.

De volta a Nova York, o relatório de Yockey sobre os expurgos antissemitas do bloco soviético levou James Madole, do Partido do Renascimento Nacional, um partido nazista americano, a endossar as campanhas contra “cosmopolitas sem raízes” e “sionistas” (que aqui é um termo antissemita codificado para se referir aos judeus e não à ideologia colonialista do sionismo). Madole declarou o comunismo como uma máscara para o nacionalismo russo após o triunfo de Stalin sobre Trotsky, a quem eles viam como o líder da “facção internacionalista judaica”, transformando assim o que os fascistas consideram “bolchevismo judaico” no bolchevismo nacional. O próprio Partido da Resistência Nacional começou a elogiar a União Soviética e teve retratos de Hitler e Stalin em seu muro, atraindo tanto comunistas quanto nazistas, e alguns fascistas americanos começaram a elogiar a União Soviética como resultado.

Insatisfeito com o anticomunismo da maioria da extrema-direita dos EUA, que não era muito receptivo à sua ideologia nacional bolchevique e estava em desacordo com a sua simpatia pela URSS stalinista e pelos movimentos do Terceiro Mundo, Yockey viajou pelo globo, indo clandestinamente para a Alemanha Oriental e possivelmente para a URSS, escrevendo propaganda para a Indústria Egípcia da Informação e encontrando o presidente egípcio Abel Gamal Nasser, com quem milhares de criminosos de guerra nazistas (incluindo o colaborador de Yockey Otto Ernst Remer) fugindo da Europa encontraram refúgio no Egito.

Yockey passou algumas semanas em Cuba logo após a revolução cubana, quando o ditador Fulgencio Batista foi derrubado, tentando formar novos laços novamente, embora suas tentativas tenham fracassado, antes de ser levado pelo FBI em 1960 e aprisionado. Na prisão, Yockey registrou ter lamentado a captura do criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann e elogiou Hitler como um herói. Yockey acabou cometendo suicídio na cadeia ao engolir cianeto, supostamente para proteger seus contatos.

Antes de seu suicídio, Yockey foi visitado na prisão por Willis Carto, que se tornaria um dos principais defensores da ideologia da Yockey na América do Norte, embora a Carto tenha rejeitado o abandono do racismo biológico pelo próprio Yockey e sua posição antiamericana e pró-soviética. A organização de Carto, o Liberty Lobby, distribuiu os textos da Yockey através de seu jornal Spotlight, e sua editora Noontide Press republicou a Imperium.

Portanto, a ideologia central de Yockey poderia ser vista como: um racismo cultural em vez de biológico, rejeição do nacionalismo em favor de um superestado europeu e apoio às forças pró-soviéticas e do Terceiro Mundo contra a hegemonia americana e a democracia liberal, que ele considerava ser uma “trama judaica”. A ideologia de Yockey tem sido muito influente entre os neo-fascistas do pós-guerra e seu livro é distribuído entre nazistas e supremacistas brancos, com o ex-líder do Partido Nacional Britânico neonazista John Tyndall elogiando Imperium e influente entre os neopagãos e ocultistas de extrema-direita.

A Nova Direita Europeia

Yockey se tornaria o antecessor ideológico da Terceira Posição e da Nova Direita Européia, entre os quais se destacam Jean-François Thiriart, Alain de Benoist e Aleksandr Dugin. Uma característica principal da Nova Direita Européia é sua crítica ao imperialismo americano e ao “economicismo” do liberalismo e sua tentativa de formar alianças ou infiltrar-se na extrema esquerda opositora ao imperialismo ocidental e da globalização.

Jean-François Thiriart

Jean-François Thiriart foi brevemente um esquerdista no ensino médio antes de ingressar na Legião Nacional e na Associação dos Amigos do Reich Alemão, duas organizações de extrema-direita, depois servindo nas Waffen-SS, pelas quais ele seria preso após a Segunda Guerra Mundial. Depois de sua prisão, ele se aposentaria da vida política até os anos 1960, quando voltou à política por acreditar que a Europa estava perdendo seu status de centro cultural, especialmente depois da independência do Congo e da Revolução argelina, durante a qual ele se organizou com colonos belgas que queriam que a Bélgica reconquistasse o Congo, além de apoiar a Organização do Exército Secreto Francês, buscando manter a Argélia como uma colônia francesa por meio de uma campanha brutal e sangrenta de massacrar os argelinos.

Thiriart via a perda belga e francesa do Congo e da Argélia como assuntos pan-europeus e não em termos puramente nacionalistas, fundando a organização Jeune Europe com o objectivo de criar uma Europa unida que tivesse o seu próprio arsenal nuclear e fosse independente de os EUA e a URSS que ele considerava que dominavam a Europa e a transformaram em um campo de batalha, ecoando, assim, o Yockey em seus dias anteriores a 1952, embora o próprio Thiriart nunca tivesse aparentemente conhecido ou lido o Yockey. Como Yockey, Thiriart também desprezava a democracia parlamentar e, em vez disso, defendia um Estado totalitário anti-igualitário.

Thiriart também tentaria negar ser um fascista e se distanciar de seu passado nazista, ao invés disso chamando a divisão de esquerda-direita de ultrapassada (em típica retórica fascista) e promovendo uma filosofia chamada comunitarismo que alegava transcender a divisão entre a esquerda e a direita. A Jeune Europe tinha laços abertos com os nazistas e usava imagens abertamente fascistas. Desde então, Thiriart defendeu a união da Europa e da União Soviética, que ele considerava mais russa do que comunista, a partir do início dos anos 50, em um “enorme bloco de poder branco de Brest a Vladivostok”. Aqui ele estava ecoando novamente no Yockey.

Após a divisão sino-soviética, Thiriart começou a apoiar a China contra os soviéticos numa tentativa de fazer com que este perdesse o controle sobre a Europa para abrir caminho para uma reaproximação entre a Europa e a Rússia, além de apoiar revolucionários na América Latina bem como o Movimento Black Power nos Estados Unidos para acabar com a hegemonia americana na Europa Ocidental. Ele reestruturaria ainda mais a Jeune Europe ao longo da linha de um partido de vanguarda leninista, deixaria de lado as imagens nazistas abertas de sua organização e repudiaria suas posições anteriores na Argélia e no Congo.

A partir de então, Thiriart avançou em direção a uma perspectiva “nacional-comunista” que foi significativamente influenciada pela adoção de um comunismo nacional ultranacionalista como ideologia estatal por Nicolae Ceaușescu, sem dúvida o resultado da inclusão de ex-fascistas da Guarda de Ferro em seu aparato de inteligência, bem como a Romênia romper com a União Soviética e se alinhar a República Popular da China. Em 1966, o próprio Thiriart conheceu Ceaușescu, que contribuiu com um artigo para a publicação de Thiriart e depois ajudou Thiriart a encontrar Zhou Enlai, de quem Thiriart tentou em vão obter apoio chinês para a Jeune Europe.

Thiriart trabalhou com o político argentino Juan Perón, que viu suas próprias visões da unidade e integração latino-americana como ligadas às de Thiriart sobre a unidade européia bem como Fidel Castro e Che Guevara como heróis (nem Castro nem Che devem ser culpados por isso), durante o exílio de Perón em Madri, onde ele também cortejou muitos membros da extrema-direita européia (Norberto Ceresole, que por algum tempo foi um conselheiro próximo de Hugo Chávez, era um associado de Perón.  Ceresole também se refletiu em sua associação com o negador do Holocausto, Robert Faurisson, e com Roger Garaudy, um comunista negador do Holocausto que foi elogiado por Hassan Nasrallah e Muammar Gaddafi).

Thiriart adotaria a política de formar laços com a esquerda a partir de agora, elogiando a luta de Ho Chi Minh contra a América, que via como inspiração, e visitou muitos Estados árabes tentando obter apoio para uma organização armada em potencial que lutaria contra a “ocupação americana” na Europa, e falando em uma conferência do partido Ba’ath bem como em reunião com Saddam Hussein, que era então apenas um coronel do exército. Por mais receptivo que o partido Baath fosse à proposta de Thiriart, ele descartou esse projeto após a recusa da União Soviética em apoiá-lo. Ele também tentou formar laços com organizações de resistência palestinas durante este período. Thiriart retirou-se novamente da vida pública após seu fracasso em obter apoio significativo, embora suas poucas aparições públicas continuassem sendo veículos para seu antiamericanismo.

[Nota: Durante a aposentadoria de Thiriart, um de seus seguidores, Renato Curcio, iria fundar a organização de esquerda radical Brigadas Vermelhas, que estava ativa nos anos 70 e 80 na Itália. Outro discípulo de Thiriart, Claudio Mutti, formaria a Organização de Amizade ítalo-líbia depois que Muammar Gaddafi assumiu o poder na Líbia e depois participou da organização de um movimento “nazista-maoísta” com a ajuda de grupos de estudantes pró-China, formando a organização Lotta Di Popolo , e mais tarde conheceu Aleksandr Dugin nos anos 90 antes de arranjar para Thiriart uma visitar a Rússia. Alguns militantes italianos influenciados por Thiriart adotariam até mesmo Hitler, Mao, Gaddafi e Juan Perón como heróis, e teriam slogans apoiando uma “ditadura fascista do proletariado” e elogiavam tanto Hitler quanto Mao juntos.

O colapso da União Soviética encorajou-o a começar a trabalhar com o Partido Comunitário Nacional-Europeu (PCN), um pequeno partido formado por ex-maoistas e neofascistas, e dirigido por Luc Michel, que se identificou como Nacional-Comunista e agiu como secretário de Thiriart. Em 1992, Thiriart lideraria uma delegação de nacional-comunistas da PCN à Rússia para encontrar os fascistas que agora podiam operar abertamente após o colapso da União Soviética. Thiriart conheceu Yegor Ligachyov, que foi receptivo à ideia de Thiriart de uma união entre a Europa e a Rússia contra a América. Ligachyov sugeriu que deveria ser na forma de uma União Soviética revivida, que Thiriart aceitou, em paralelo às posições nacional-bolcheviques do pós-1952 da Yockey.

Thiriart morreu de uma parada cardíaca no final de 1992, seus seguidores montaram uma segunda Frente de Libertação Européia para continuar o projeto de Thiriart. A Frente de Libertação Européia manteve contatos com a coalizão russa da Frente de Salvação Nacional e apoiou a Frente Nacional de Salvação durante a crise de 1993, opondo-se a Boris Yeltsin na Rússia.

Alain de Benoist

Entre os neofascistas que saem da órbita ideológica de Thiriart está Alain de Benoist, que exerceu uma influência substancial sobre a Nova Direita. Na sua adolescência, De Benoist juntou-se à Jeune Europe de Thiriart por simpatia pela ocupação francesa da Argélia no final dos anos 50 e mais tarde seria membro do conselho editorial da Europe-Action, uma organização sucessora da Jeune Europe depois desta ter sido proibida pelo governo francês.

Durante esse período, De Benoist foi o padrão de neofascista contra o comunismo, defendendo o apartheid e apoiando a guerra imperialista americana no Vietnã. Insatisfeito com o então estado de extrema-direita e sua incapacidade de desafiar o Estado gaullista francês, De Benoist optaria por desistir do racismo biológico e das teorias conspiratórias da extrema-direita e, em vez disso, favorecer uma abordagem mais intelectual, e em reação ao movimento esquerdista radical de maio de 1968 ele fundou o think tank GRECE (sigla em inglês para Groupement pour Recherches et Etudes pour la Civilisation Europeenne), a tradução francesa do Grupo de Pesquisa e Estudos para a Civilização Européia. Inspirado pelas teorias do marxista italiano Antonio Gramsci sobre a hegemonia cultural (Gramsci, então falecido há muito tempo, não deveria ser culpado), De Benoist defenderia a luta ideológica para influenciar a cultura de massa como fundamento para a mudança política, uma teoria chamade de “metapolítica”. GRECE conseqüentemente publicou material reabilitando fascistas, como os ideólogos da Revolução Conservadora e os partidários do nacional-bolchevismo como Ernst Niekisch.

A evolução ideológica de De Benoist também foi marcada por uma mudança em direção à hostilidade ao cristianismo, que na sua opinião tinha “colonizado” os indo-europeus pela força, e pelo apoio a um reavivamento do politeísmo europeu pré-cristão, que ecoou Julius Evola. Acompanhando essa mudança estava um crescente antiamericanismo de De Benoist, que odiava o “american way of life” e “suas séries de TV vazias, mobilidade crônica, fast food onipresente, admiração do todo-poderoso dólar e sua população sedentária e despolitizada”. Ele se opunha ao capitalismo de livre mercado, apropriando-se das críticas esquerdistas ao liberalismo, condenando-o como uma ideologia que reduzia todos os aspectos da vida humana ao valor puramente econômico, produzindo assim uma sociedade de consumo totalizadora que era inescapavelmente totalitária.

Assim como Yockey e Thiriart antes dele, De Benoist chegou a considerar o imperialismo americano e a democracia liberal como mais perigosos do que o comunismo soviético, escrevendo que “Melhor usar o capacete de um soldado do Exército Vermelho do que viver com uma dieta de hambúrgueres no Brooklyn” em 1982 ( que se repetiria em 2017 por Richard Spencer, uma figura proeminente do movimento fascista americano “Alt-Right”), apoiando as lutas do Terceiro Mundo condenando a OTAN e votando pelo Partido Comunista nas eleições francesas de 1984.

Contra as acusações de outros neofascistas de que teriam desertado para a Nova Esquerda, De Benoist gostaria que Thiriart, antes dele, tivesse afirmado que ele estava fora do espectro da Esquerda-Direita e, em vez disso, apoiava “um mundo plural baseado na diversidade de culturas” contra um ” mundo unidimensional ”. Esse conceito, chamado de “etnopluralismo”, fez com que De Benoist passasse de um supremacista branco a um defensor de identidades étnicas e culturais separadas e regionalismo contra o que ele via como um “mercado global homogeneizador”, colocando-o em desacordo com a visão de um super-Estado pan-europeu de Thiriart.

Esse conceito de “etnopluralismo” encontraria seu caminho entre círculos mais amplos de extrema-direita, com Jean-Marie Le Pen reutilizando-o em suas declarações xenofóbicas e os neofascistas adotando-o para “suavizar” sua retórica racista.

O fim da Guerra Fria significou o fim da divisão esquerda-direita para De Benoist e, após a dissolução da União Soviética, ele visitaria a Rússia em 1992, meses antes da delegação de Thiriart, onde encontraria muitas figuras da oposição a Boris Yeltsin e proclamaria que a política consistia em forças anti-sistema contra o “establishment central”, defendendo efetivamente uma coalizão de esquerda-direita contra a democracia liberal.

Terceira Posição Fascista

Entre os movimentos próximos à Nova Direita Européia está a Terceira Posição, uma vertente do fascismo que se opõe ao capitalismo e ao comunismo e tem suas origens no fascismo “clássico” e nos irmãos Strasser.

A adoção de um curso eleitoral do Movimento Sociali Italiano durante os anos 50 e 60 resultou na formação de uma série de ramificações neo-fascistas do MSI que preferiram métodos extra-parlamentares e procuraram substituir a democracia parlamentar por uma ditadura fascista.

TERZA POSIZIONE

Entre eles estavam a Ordine Nuovo, influenciada por Evola, e a Avanguarda Nazionale, que seria dissolvida pelo Estado italiano em 1973, pois estavam tentando reviver o fascismo, o que era ilegal na constituição pós-guerra da Itália. Após a sua dissolução, muitos dos seus ex-membros, juntamente com os membros da Lotta di Popolo de Mutti, se uniram para formar Terza Posizione, cuja ideologia foi baseada no trabalho de Julius Evola e foi um dos “pioneiros” da Terceira Posição fascista pós-guerra. Após o massacre de Bolonha, em 1980, em que uma mala explodiu em uma estação de trem em Bolonha, na Itália, matando 85 pessoas e ferindo outras 200, o grupo seria investigado como principal suspeito por trás dos ataques e dois de seus proeminentes membros, Roberto Fiore e Massimo Morsello, fugiram para o Reino Unido.

A TERCEIRA POSIÇÃO INTERNACIONAL

No Reino Unido, Fiore conheceu Nick Griffin e Derek Holland, ex-membros da Frente Nacional de extrema-direita, que formaram uma facção de Terceira Posição dentro da FN chamada de Soldado Político, que se opunha à própria política eleitoral da FN. Em 1986, as dissensões dentro da FN levaram Griffin e Holland a romperem e formarem sua própria organização denominada Frente Nacional Oficial (ONF). Ao contrário da Frente Nacional, a ONF apoiou o regionalismo étnico no Reino Unido e elogiou Aiatolá Khomeini, Muammar Gaddafi e Louis Farrakhan, da Nação do Islã, uma posição próxima à de Otto Ernst Remer, e em 1988 Griffin e Holland viajaram para a Líbia a convite do governo líbio.

Após uma nova divisão na Frente Nacional Oficial, Griffin, Holland e Fiore se tornariam os membros fundadores da Terceira Posição Internacional (ITP), e Holland e Colin Todd, membro da ITP, visitaram o Iraque pouco antes da Guerra do Golfo como parte de uma delegação da ITP. . Patrick Harrington, por sua vez, fundou o Partido Nacional Liberal, o primeiramente partido depois o think tank Terceira Via, e Solidariedade – O Sindicato para Trabalhadores Britânicos.

O ITP passaria por várias divisões, com Griffin saindo em 1990 e depois se juntando ao Partido Nacional Britânico (BNP), e mais tarde sucedendo John Tyndall na cabeça do partido antes de ser expulso em 2014 e fundar seu próprio partido, a Unidade Britânica. Outro membro, Troy Southgate, partiu em 1992 para formar depois em 1998 a Facção Nacional Revolucionária “Nacional-Anarquista”, que mais uma vez fiel aos hábitos da Terceira Posição, apropria-se da imagem e estética da esquerda para uma ideologia fascista reacionária. “Nacional-Anarquismo” não pode ser considerado uma forma legítima de anarquismo, uma vez que não só não se desenvolveu a partir de qualquer pensamento anarquista existente, mas os próprios anarquistas têm estado na linha de frente da oposição ao fascismo por muitas décadas.

CHAMA TRICOLOR, FORZA NUOVA E CASAPOUND

O Movimento Sociale Italiano se rebatizaria como um partido conservador supostamente mais moderado (embora mantenha seu imaginário fascista e não repudie os laços do partido com o regime de Mussolini), levando sua facção fascista linha-dura a formar o Chama Tricolor, um partido fascista de Terceira Posição.

Uma facção pró-Fiore e pró-Morsello dentro do Chama Tricolor cresceria enquanto estavam no “exílio” no Reino Unido e depois se separou para se tornar um partido fascista ultra-católico chamado Forza Nuova, e quando eles voltaram para a Itália, foram feitos os líderes da Forza Nuova. Tendo uma vez se aliado ao partido ucraniano de extrema-direita Svoboda, Forza Nuova mais tarde mudou para uma posição pró-russa e pró-Donbass depois do Euromaidan, com um membro indo, ironicamente, lutar contra os “fascistas de Kiev”.

Um irmão de Forza Nuova é CasaPound, em homenagem ao fascista e antissemita Ezra Pound, que também cresceu a partir do Chama Tricolor, e cujos membros se chamam os “fascistas do terceiro milênio”. CasaPound é virulentamente xenófoba e anti-imigração, e tem estado por trás de muitos ataques contra esquerdistas e refugiados na Itália ao mesmo tempo adotando os conceitos da Nova Direita do “etnopluralismo” e da metapolítica, se apropriando de métodos esquerdistas como ocupar edifícios, criticando a globalização e austeridade, apoiando os trabalhadores e gestão de centros sociais. Entre as afiliadas do CasaPound está a Solidarites-Identites (Sol.ID), uma ONG “etnopluralista” que atua na Síria, na Birmânia, no Kosovo, na Palestina e na África do Sul.

Marrom-Vermelho na Rússia

Nacional Bolchevismo russo

As origens do Nacional Bolchevismo russo diferem do nacional bolchevismo alemão no pós-guerra e têm suas raízes na Guerra Civil Russa que se seguiu à Revolução de 1917 e a subsequente tomada do poder pelo Partido Bolchevique, quando Lenin fez concessões aos nacionalistas russos para estabilizar a recém-formada União Soviética e muitos membros do movimento branco czarista e desertores proto-fascistas das Centenas Negras mudaram de lado e se juntaram aos bolcheviques.

[Nota: Muitos revolucionários proeminentes na época condenaram os atos contra-revolucionários e o autoritarismo dos bolcheviques, com Emma Goldman se desiludindo com a situação na Rússia e denunciando a União Soviética como Capitalista de Estado, Otto Rühle dizendo que a luta contra o fascismo começa com a luta contra o bolchevismo e o anarquista russo Voline, que participaria das revoluções russa e ucraniana, rotulando a URSS sob Stalin como fascismo vermelho.]

Entre os ex-partidários do movimento branco que se juntaram aos bolcheviques estava Nikolai Ustrialov, que via a Revolução Bolchevique como o caminho para restabelecer a Rússia como uma grande potência, clamando pelo fim da Guerra Civil Russa e para que nacionalistas russos colaborem com os bolcheviques, com ele e emigrados russos em Praga escrevendo em sua publicação chamada Smena Vekh enquanto adotavam o nome “Nacional Bolchevique” depois que Ustrialov leu Niekisch. O governo soviético subseqüentemente subsidiou Smena Vekh, que se tornou influente na URSS e, embora o próprio Ustrialov inicialmente elogiasse Stalin antes de ser executado durante seus expurgos, vários Smenavekhitas se tornaram ideólogos influentes no sistema soviético.

Após o fracasso da sublevação espartaquista na Alemanha e a vitória de Stálin na luta pelo poder que se seguiu à morte de Lênin na União Soviética, a mistura de nacionalismo e marxismo-leninismo da União Soviética se transformou em algum tipo de bolchevismo nacionalista como resultado da adoção da URSS. da política do “Socialismo num só país” em 1925, cuja adoção também foi em parte motivada pela necessidade de assegurar à Alemanha que a prioridade da União Soviética era manter o Tratado de Rapallo em vez de exportar a revolução.

PACTO RIBBENTROP-MOLOTOV

Outro período de colaboração vermelho-marrom seguiu a crise resultante do fracasso da política de apaziguamento das potências ocidentais em relação a Hitler ao violar o acordo de Munique (do qual a União Soviética havia sido excluída) anexando a Tchecoslováquia, levando Stalin a negociar abertamente uma potencial aliança contra Hitler com a Grã-Bretanha e a França, enquanto negociava secretamente com a Alemanha. Para a surpresa das potências ocidentais e dos comunistas em todo o mundo, em agosto daquele ano, o Acordo de Crédito Soviético-Alemão e o infame Pacto Ribbentrop-Molotov foram assinados, seguido por cerca de quinhentos comunistas alemães, que anteriormente haviam procurado o exílio na União Soviética, deportados por Stalin de volta para a Alemanha. Esses tratados eram acompanhados de protocolos secretos que dividiam a Europa Oriental nas esferas de influência soviética e nazista, e no mês seguinte os nazistas e os soviéticos invadiram a Polônia, com as tropas soviéticas e nazistas realizando desfiles conjuntos em Brest-Litovsk e Lvov. Depois disso, a URSS e a Alemanha realizaram mais conversas que resultaram em outro tratado pelo qual os nazistas cederam a Lituânia aos soviéticos em troca de Stalin reconhecer a ocupação de Varsóvia e Lublin por Hitler, e incluindo protocolos relativos à transferência de população entre a Alemanha e a União Soviética. como compartilhamento de inteligência para reprimir a resistência polonesa à ocupação. Mais conversas em Moscou diziam respeito à expansão da cooperação econômica e política entre os nazistas e os soviéticos, que Molotov e Ribbentrop declararam abertamente como uma “base sólida para a paz na Europa Oriental”.

[Nota: Quando Jean-François Thiriart saiu da aposentadoria nos anos 80, ele elogiou o Pacto Ribbentrop-Molotov e declarou que ele tornou a União Soviética a herdeira geopolítica da Alemanha nazista.]

Quando a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha em reação à invasão da Polônia, o Comintern suspendeu toda a atividade antifascista e forçou os partidos comunistas a condenar a guerra como imperialista e se opor aos créditos de guerra, causando o colapso das Frentes Populares antifascistas. A União Soviética e a Alemanha nazista assinaram outro acordo econômico em 1940 pelo qual a URSS vendia matéria-prima aos nazistas, que fornecia equipamentos de guerra à URSS, ajudava a Alemanha a contornar as sanções impostas pela Grã-Bretanha e conversas não resolvidas sobre a possibilidade de adesão da URSS ao Eixo seguiram-se. O acordo só terminou quando Hitler violou o Pacto Ribbentrop-Molotov e invadiu a União Soviética em 1941, o que levou a URSS a entrar na guerra ao lado dos Aliados, durante a qual Stalin usou retórica nacionalista sobre a luta ser a “Grande Guerra Patriótica” para mobilizar o Exército Vermelho.

Essa política nacionalista foi continuada pelo Partido Comunista da União Soviética durante a Guerra Fria, onde fez uso tanto do nacionalismo russo quanto do marxismo-leninismo para a mobilização, e as facções nacionalistas do establishment soviético toleraram e apoiaram o Nacional Bolchevismo , especialmente através da Liga da Juventude Comunista e do Exército Vermelho.

FASCISMO PÓS-SOVIÉTICO

Com o colapso catastrófico da União Soviética e de todo o bloco oriental, numerosos movimentos fascistas e ultranacionalistas surgiram e aproveitaram o aumento da pobreza, a diminuição dos padrões de vida e a corrupção resultante da maciça privatização de Boris Yeltsin, a la EUA, como uma “Terapia de choque” para fortalecer suas posições. Como parte da reação contra Yeltsin, Aleksandr Barkashov, um ex-membro do Pamyat (uma organização antissemita que culpa um “plano maçônico sionista” pela Revolução Russa e por todos os males da Rússia) e o fundador e líder dos neonazistas grupo Unidade Nacional Russa, aliado ao ex-oficial da KGB Aleksandr Stergilov (ele mesmo um antissemita assumido), formaram a Assembléia Nacional Russa (RONS), que queria remover Yeltsin através de meios constitucionais e defenderam a unificação de todos os eslavos da antiga URSS. dos quais muitos membros eram oficiais de inteligência do serviço ativo, com Stergilov explicando que os órgãos de segurança “eram sempre compostos de pessoas de mentalidade patriótica”.

Esse processo de unificação da oposição a Yeltsin culminou com a formação da Frente de Salvação Nacional, a aliança dos opositores mais duros de Yeltsin, composta de fascistas, ultra-nacionalistas russos, monarquistas czaristas e stalinistas, que se uniram em ressentimento pela queda da Rússia de uma grande potência mundial a um Estado fraco atormentado por instabilidade e crises, e tinha laços estreitos com um bloco parlamentar chamado “Unidade Russa”. O co-presidente da Frente de Salvação Nacional foi Aleksandr Prokhanov, que também foi o chefe de redação de Dyen, o porta-voz da Frente de Salvação Nacional, que publicou o mais vil antissemitismo, como trechos dos Protocolos dos Sábios de Sião e manifestou apoio aos neonazistas ocidentais. Também estiveram envolvidos na Frente de Salvação Nacional Aleksandr Dugin, que foi publicado e ajudou a editar Dyen, e Eduard Limonov, ex-exilado russo que fez parte dos círculos punks e esquerdistas nos Estados Unidos, conheceu Alain de Benoist em Paris e participou na guerra iugoslava ao lado de Radovan Karadzic antes de retornar à Rússia e se juntar à oposição marrom-avermelhada a Yeltsin. Limonov estava consciente de que o fascismo aberto não tinha meios de sucesso na Rússia por causa do legado da participação da União Soviética na Segunda Guerra Mundial e, portanto, decidiu tentar introduzi-lo lá através de formas secretas, e ele e Dugin formaram a Frente Nacional Bolchevique, que fazia parte da Frente Nacional de Salvação e ocupava uma posição de destaque na contra-cultura russa. Outro membro proeminente da Frente de Salvação Nacional foi Gennady Zyuganov, que anteriormente havia participado de discussões com Alain de Benoist e Jean-François Thiriart durante sua visita à Rússia em 1991 e mais tarde fundou o Partido Comunista da Federação Russa (KPRF), que apesar de seu nome era uma organização ultranacionalista e reacionária que se opõe ao “cosmopolitismo”, afirma que “sionistas” estão tramando para conquistar o mundo, pediu a proibição de organizações judaicas na Rússia junto com o partido fascista Rodina em 2005, e cujo membro Albert Makashov é um antissemita sincero e virulento (uma tendência marrom-avermelhada que é muito comum entre muitos partidos stalinistas de países que antes faziam parte do antigo bloco soviético).

[Nota: Quando Otto Ernst Remer retornou à Alemanha na década de 1980, um de seus seguidores era Bela Ewald Althans, um ex-colaborador do neonazista Michael Kühnen com quem ele era líder da Frente de Ação dos Nacional-Socialistas antes de ser banido por o governo alemão em 1983. Depois de sua expulsão do colegial e de ser deserdado por seus pais, o adolescente fascista Althans tornou-se um seguidor de Remer, que o apresentou a membros importantes do movimento fascista clandestino e tornou-se líder do Movimento Liberdade de Remer, cujo objetivo era a assinatura de um segundo acordo de Rapallo.

Em 1988, Althans viajou para os Estados Unidos e se aproximou do Grande Dragão da Ku Klux Klan Tom Metzger, e em 1992 e 1993 visitou a Rússia em “missões de apuração de fatos” patrocinadas pelo negador do Holocausto e apologista Ernest Zundel, onde conheceu Aleksandr Barkashov, que apoiou uma aliança com a Alemanha, ao contrário de Limonov. Zundel declarou entusiasticamente que a Rússia seria o centro de um futuro movimento neo-nazista e visitou a Rússia novamente em 1994 com Althans, onde o primeiro comprou uma edição em ouro do Mein Kampf em Moscou e se reuniu com a Unidade Nacional Russo de Barkashov e opositores de Yeltsin, como Stergilov, com quem Zundel alegou ter “falado do pan-eslavismo de uma nova forma racialista”, levando Zundel a declarar os russos como “os guardas raciais na fronteira oriental” que deviam, segundo ele, “proteger a Europa dos muçulmanos e chineses”. Em dezembro do mesmo ano, no entanto, Althans foi condenado a dezoito meses de prisão por distribuir vídeos de negação do Holocausto, e em 1995 uma sentença de três anos e meio foi acrescentada ao seu mandato, embora ele alegasse não ser mais um neo-nazi no tribunal. Após sua libertação, Althans se dissociou de qualquer atividade de extrema-direita e desapareceu da vida pública.]

Após a decisão de Yeltsin de dissolver o parlamento russo em 1993, a Frente de Salvação Nacional  tentou formar um governo paralelo e lutar com ele durante a crise seguinte, resultando em um confronto entre Yeltsin e uma aliança marrom-avermelhada que incluiu a Frente de Salvação Nacional e os neonazistas de Aleksandr Barkashov em frente à Casa Branca Russa, e depois que Yeltsin enviou os tanques contra eles, um grande número de seus oponentes marrom-avermelhados foi morto ou ferido e muitos líderes da oposição foram presos, Dyen foi banido junto com muitos jornais de oposição e, com a torcida do Ocidente, Yeltsin consolidou seu poder cada vez mais ditatorial através de uma reforma constitucional, aumentando drasticamente os poderes do Presidente antes de decretar novas eleições. Os vencedores destas eleições, no entanto, incluíram o KPRF, que ganhou 32 assentos na Duma, e o indevidamente nomeado Partido Liberal Democrático da Rússia de extrema-direita nacionalista de Vladimir Zhirinovsky (que esteve próximo de Eduard Limonov por essa época, Limonov tinha percorrido Paris em 1992, onde apresentou Zhirinovsky a Jean-Marie Le Pen, que subseqüentemente endossou a candidatura presidencial de Zhirinovsky) que obteve 59 cadeiras, como resultado do voto de protesto anti-Yeltsin. Em fevereiro de 1994, esta Duma dominada pelos oponentes de Yelstin concedeu anistia aos inimigos presos deste, com Dyen reaparecendo sob o nome de Zavtra, Barkashov se movendo livremente em Moscou e Limonov iniciando seu próprio jornal, Limonka.

Diante da deterioração econômica e social na Rússia, Yelstin adotou uma postura populista cada vez mais racista e começou a atacar as minorias étnicas na Rússia em meados da década de 1990 e, em 1994, invadiu a Chechênia. Neste ponto, a Frente de Salvação Nacional começou a desagregar, proeminentes membros da Frente criticando a guerra, enquanto Zhirinovsky, Limonov e Barkashov apoiaram as políticas de Yeltsin e o banho de sangue desencadeado na Chechênia, com Limonov deixando a Frente e criticando seus membros como “moderados”. Por volta dessa época, Limonov rompeu com Zhirinovsky, que passou a apoiar Yeltsin em 1998, e também criticou o nazismo aberto de Barkashov e o chamou de contraproducente perante a lembrança das atrocidades dos nazistas e do legado da perda maciça de vidas do povo soviético. Durante a luta contra o fascismo na Segunda Guerra Mundial, o fascismo e o nazismo foram rejeitados na Rússia e, na sua opinião, a única maneira de introduzir o fascismo ali era de formas mais discretas. Após o reposicionamento de Barkashov como um “político sério” em 1995 para se distanciar do rótulo nazista, a Frente Nacional Bolchevique de Limonov continuou colaborando com a Unidade Nacional Russa de Barkashov, que em 1998 expandiu para 64 das 89 regiões russas, administrando campos de doutrinação de jovens. Enquanto autoridades locais e regionais eram indulgentes e até colaboraram com Barkashov, a situação da Rússia na época era comparada por Martin A. Lee à da República de Weimar – uma situação que ajudou a ascensão de Vladimir Putin, o ex-funcionário da KGB autoritário de direita cuja popularidade foi impulsionada por sua manipulação sangrenta e brutal da guerra na Chechênia e foi nomeado por Yeltsin como presidente em exercício. Naquela época, o Partido Bolchevique Nacional sofreu uma cisão e, na primavera de 1998, Limonov se separou de seu colega Aleksandr Dugin. Limonov aliou-se à Frente Civil Unida do liberal Garry Kasparov e juntou-se à oposição a Vladimir Putin nos anos 2000. O Partido Bolchevique Nacional estava entre os organizadores dos protestos anti-Putin, conhecidos como a Marcha dos Dissidentes, e Limonov mais tarde se tornou um dos líderes da coalizão de oposição A Outra Rússia, junto com Kasparov.

ALEKSANDR DUGIN

Aleksandr Dugin nasceu na União Soviética em 1962 e ingressou no Instituto de Aviação de Moscou em 1979, antes de ser expulso por causa de suas associações com o círculo esotérico Golovin, liderado pelo místico fascista Yevgeny Golovin, para o qual ele traduziu as obras de Julius Evola. Seguindo o Demokratizatsiya sob Mikhail Gorbachev, Dugin se juntou a Pamyat e se tornou membro do Conselho Central em 1988 antes de Barkashov, que o via como um rival ideológico, Dugin foi expulso em 1989 por tentar introduzir novas idéias à organização, após o qual ele viajou para a Europa Ocidental, onde conheceu Alain de Benoist e Jean-François Thiriart, que influenciaram fortemente seu antiamericanismo e seu apoio ao tradicionalismo russo. Essa proximidade de Dugin com a Nova Direita Européia explica por que a ideologia da Frente Bolchevique Nacional que ele fundou mais tarde estava mais próxima do nacional bolchevismo de Niekisch do que da dos escandinavos.

Dugin então retornou à Rússia e fundou Arktogaia, que publicou material expressando apoio a uma revolução social conservadora na Rússia que levaria à criação de uma sociedade tradicionalista, autoritária e espiritual. Por volta dessa época, Dugin propôs a Limonov (que também era regularmente publicado no The eXile de Matt Taibbi e Mark Ames na parte posterior daquela década) para formar a Frente Bolchevique Nacional, que se materializou em 1993. O propósito da Frente Bolchevique Nacional deveria usar uma reinterpretação nacional bolchevique da história russa reconciliando seus períodos monarquista e comunista para ajudar a formação de coalizões anti-liberais em um momento em que a aliança vermelho-marrom estava lutando contra Yeltsin, e Dyen foi associado com Arktogaia durante este período (Gennady Zyuganov, declarando que os russos eram “a última potência no planeta capaz de montar um desafio para a Nova Ordem Mundial – a ditadura cosmopolita global”, era uma clara evidência de que ele foi influenciado por Dugin). Foi também nessa época que Dugin começou a publicar seu próprio periódico, Elementy, com o objetivo principal de propagar uma ideologia “nacionalista revolucionária” para radicalizar a aliança marrom-avermelhada e reconciliar suas seções fascistas e stalinistas e que elogiava figuras da Revolução Conservadora e membros do regime nazista, e publicando também as primeiras traduções russas de Julius Evola. Essa tentativa de radicalizar a aliança vermelho-marrom foi exemplificada em um ensaio escrito por ele em 1992 e intitulado Fascismo – Vermelho e Sem Fronteiras, onde ele tentou ligar a Rússia ao fascismo europeu evocando a “esquerda” do fascismo alemão que apoiava uma aliança com a União Soviética e que foi eliminada por Hitler e tentou culpar o Ocidente pela Segunda Guerra Mundial ao invés do Fascismo.

Em 1997, Dugin escreveu Os Fundamentos da Geopolítica como professor na Academia do Estado-Maior Geral, com a ajuda de Leonid Ivashov, um coronel russo e ex-oficial militar soviético que chefiou o Departamento Internacional do Ministério da Defesa da Rússia de 1996 a 2001. Os Fundamentos da Geopolítica tornou-se a base para a escola de geopolítica russa e foi fundamental para estabelecer a aceitação da geopolítica na Rússia depois de ter sido considerada uma disciplina fascista sob a União Soviética. No entanto, Dugin deixou o Partido Nacional Bolchevique  em 1998 depois de estar insatisfeito com ele e procurou aumentar os seus contatos, redigir o programa do KPRF e tornar-se conselheiro do membro do KPRF e Presidente da Duma do Estado russo  Gennady Seleznyov (que foi crucial para ajudar na ascensão de Dugin dos círculos periféricos da cena fascista da Rússia para o establishment da Federação Russa), ao mesmo tempo em que elogiava especialmente figuras do NSDAP e da Alemanha nazista, como os irmãos Strasser, e apelava a um “fascismo fascista”. A partir de 1998, Dugin também reformulou seu antissemitismo ao declarar que ele considerava “destrutivos e subversivos os judeus sem nacionalidade” como inimigos, apoiando o sionismo e formando laços com grupos ultranacionalistas israelenses que acreditam que todo judeu deveria viver em Israel, que se alinha com a ideologia do “etnopluralismo” defendida por Dugin e pela Nova Direita Européia, mas também com a esperança de Dugin de que esses ultranacionalistas desestabilizariam a região e permitiriam que a Rússia dominasse o processo de paz israelo-palestino.

O chamado de Dugin por um “fascismo vermelho e ilimitado” significava que ele adaptou sua ideologia e transformou-a no que Roger Griffin e Matthew Feldman descrevem como “um sistema agressivamente aberto”, integrando elementos de todo o espectro político para combater seu inimigo total, que é o liberalismo representado pelos Estados Unidos. Para isso, ele combinou seu nacional bolchevismo ao eurasianismo, uma ideologia desenvolvida pelos emigrados brancos que viram o Império Russo como uma necessidade “natural” e consideraram a Revolução de Outubro uma “revolução conservadora” que preservou a continuidade imperial e a individualidade nacional da Rússia, salvando-a de um período de ocidentalização e europeização iniciado por Pedro o Grande. O resultado dessa síntese foi uma ideologia “neo-eurasianista” cuja visão de mundo é aquela em que um “poder marítimo” centrado nos Estados Unidos e no Reino Unido formaria uma “nova ordem mundial atlantista” que “dilui a diversidade nacional e cultural” através da globalização e está engajado em um eterno confronto contra um “Poder Terrestre” centrado em torno de uma “Nova Ordem Eurasiana” orientada para a Rússia, que resiste à globalização.

Na visão de Dugin, o colapso da União Soviética provocou um “Mundo Unipolar” dominado pelo Ocidente globalizado e liberal, e em reação a isso ele defende a formação de um “Mundo Multipolar” criando um “Império eurasiano” com uma sociedade hierárquica,“etnopluralista”, patriarcal e tradicionalista, com ele próprio como herdeiro de uma suposta“ Ordem Eurasiana ”que ele afirma ter supostamente existido secretamente por séculos. Isso mostra como Dugin adaptou sua ideologia com o tempo, enquanto seu núcleo permaneceu o mesmo ao longo dos anos: no início dos anos 90, Dugin afirmara que representantes dessa “Ordem Eurasiana” estiveram presentes na Abwehr, a inteligência militar do regime nazista, e no Sicherheitsdienst, o serviço de inteligência das SS (Dugin chamara Reinhard Heydrich, o chefe dos Sicherheitsdienst e um dos principais arquitetos do Holocausto, de um “eurasianista convicto” e afirmava que ele havia sido vítima de uma trama “atlanticista”), e rotulou a KGB como um agente “atlanticista” enquanto chamava a Waffen-SS e mais especificamente sua divisão encarregada da pesquisa da história da “raça ariana”, a Ahnenerbe, de “um oásis intelectual no quadro da Regime nacional-socialista”.

Outro exemplo dessa adaptação é que, desde o início dos anos 2000, ele começou a se distanciar do termo “fascismo” e adotou os rótulos de “Revolução Conservadora”, “Nacional Bolchevique” e “Novo Socialismo”, enquanto afirmava ser um antifascista e acusando seus oponentes de serem nazistas e fascistas, embora Dugin nunca tenha mudado o núcleo de sua ideologia e ainda seja efetivamente um fascista. Isto também foi acompanhado com tentativas de Dugin se infiltrar na Esquerda Ocidental através de uma concepção anti-imperialista, mas pró-russa, de “antiimperialismo”, como Eric Draitser, ele mesmo um jornalista de esquerda e ex-vítima da manipulação de Dugin, conta ao CounterPunch, e também através de colaboração direta, como com membros da coalizão de esquerda grega Syriza em 2013. Em 2001, ele formou o Movimento Eurásia e o Partido Eurásia e em 2005 formou a União da Juventude Eurasiana, e depois que ele deixou o bloco Rodina em 2003, escolheu uma estratégia metapolítica para realizar seu objetivo fascista. Embora a influência de Dugin na Rússia seja exagerada, como quando ele é chamado de “Rasputin de Putin”, ele é influente dentro de setores do establishment (o chefe da diretoria ideológica da Rússia Unida e vice-ministro de cultura encarregado da indústria cinematográfica, Ivan Demidov , é um eurasianista próximo de Dugin) e ala militar da Rússia e costumava ser o chefe do Departamento de Sociologia das Relações Internas da Universidade Estadual de Moscou, até que milhares pediram para ele ser demitido depois que ele fez pedidos para assassinar em massa ucranianos em 2014. Dugin tem foi hospedado e promovido pela televisão estatal russa RT, anteriormente conhecida como Russia Today, que agora tenta minimizar a influência de Dugin e se distanciar dele. No entanto, os duginistas como Mark Sleboda, Manuel Ochsenreiter e Tiberio Graziani são regularmente recebidos como especialistas em mídia internacional estatal russa, especialmente a Sputnik International (antiga RIA Novosti e The Voice of Russia), a emissora de rádio de propriedade do Estado russo.

INFLUÊNCIA SOBRE OS FASCISTAS OCIDENTAIS

A Nova Direita Européia e a Terceira Posição se tornaram mais influentes após o colapso da União Soviética, o que significou a perda do bicho papão comunista contra o qual a maioria dos fascistas ocidentais havia agitado durante a Guerra Fria e a contra-revolução neoliberal iniciada sob Reagan e Thatcher nos anos 80, acompanhados da globalização, significavam que o novo bicho-papão para os fascistas era o “globalismo”, uma teoria conspiratória antissemita pela qual uma pequena elite secreta estaria trabalhando para minar a soberania nacional para formar um “Governo Mundial Único” e usa a imigração para esses fins. Uma fixação comum dessas teorias da conspiração é com o bilionário filantropo George Soros, que é regularmente acusado de estar por trás de todo tipo de movimento social. Na Europa, a extrema-direita se reformulou ao cooptar causas esquerdistas como os direitos LGBT e o secularismo e políticas anti-establishment abandonadas pelos antigos partidos de esquerda que cederam à política da “Terceira Via” e as usaram para sua própria posição reacionária, abandonando a oposição ao comunismo e o apoio aos Estados Unidos para uma postura de oposição à América do Norte e com teorias conspiratórias antissemitas denunciando o “lobby sionista” e e conclamando se unir em torno do Estado russo, especialmente após a ascensão ao poder de Vladimir Putin e sua marca de política autoritária de direita.

Essa influência das idéias da Nova Direita no movimento fascista maior também resultou em sua integração dentro de redes fascistas mais amplas que se espalham pelo mundo. Por exemplo, uma das discípulas de Dugin, Nina Kouprianova, é casada com o líder nacionalista branco Richard Spencer. Kouprianova traduziu os trabalhos de Dugin que foram publicados pela editora da Spencer, a Washington Summit Publishers. O próprio Spencer, antes de vir aos olhos do público, foi hospedado regularmente na RT como comentarista sobre Líbia, Síria, política externa dos EUA, Vladimir Putin e foi autorizado a promover seu nacionalismo branco sob o disfarce de discutir violência policial racista, discutindo o movimento Black Lives Matter, discutindo segurança nacional. Mais recentemente, Aleksandr Dugin também participou do Infowars, dirigido pelo teórico da conspiração de extrema-direita Alex Jones. O próprio Jones foi apresentado na RT por um longo tempo como “especialista” desde os dias em que ele costumava apresentar Lyndon LaRouche.

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